Escudo humano
O secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal, disparou ontem telefonemas a lideranças do PSDB e do PFL para reiterar o teor da nota de Antonio Palocci negando as denúncias de Rogério Buratti. Queria sondar o ânimo da oposição.
Erva-cidreira
Portugal ouviu de pelo menos dois senadores _José Agripino (PFL) e Arthur Virgílio (PSDB)_ que não partirá da oposição nenhuma ofensiva para apear o ministro da Fazenda e que, 'palavra contra palavra', Palocci tem mais credibilidade do que seu acusador.
Tudo tem limite
Cotado para virar ministro no caso de impedimento do atual titular, Portugal negou nos telefonemas qualquer possibilidade de substituir Palocci, ainda que temporariamente. Foi advertido de que, embora dê ao ministro o benefício da dúvida, a oposição não abre mão de ouvir Buratti de novo na CPI dos Bingos.
Bola de cristal 1
Há pouco mais de uma semana, em conversa com dois empresários em São Paulo, José Dirceu previu que Antonio Palocci não demoraria a ser envolvido nas denúncias em curso.
Bola de cristal 2
Em Brasília, na segunda-feira, pessoa próxima a Dirceu antecipava que a semana não terminaria bem e que a encrenca à vista dizia respeito a Ribeirão Preto.
Bico aparente
Já alguns petistas estão convencidos de que os tucanos operaram o Ministério Público paulista de forma a obter um depoimento sob medida para jogar o ministro da Fazenda no caldeirão da crise política.
Muy amigos
Esqueça a oposição. As alfinetadas mais profundas em Palocci partiram do petista Ricardo Berzoini ('Ninguém é insubstituível') e do vice-presidente José Alencar ('Um homem de bem até prova em contrário').
Feliz aniversário
Completam-se hoje quatro anos da primeira ação judicial a levantar suspeitas sobre a coleta de lixo em Ribeirão Preto. Foi proposta pelo PSDB local contra o então prefeito, Antonio Palocci. O processo ainda tramita.
A jato
Passa de 30 mil o número de notas fiscais emitidas pela DNA, uma das agências de Marcos Valério, para o Banco do Brasil. Em condições normais, o Tribunal de Contas da União levaria de seis meses a um ano para auditar tudo. A CPI quer concluir a análise em no máximo 30 dias.
Situação extrema
O deputado Durval Orlato (SP) nega intenção de deixar o PT. Diz que sua consulta ao TSE sobre prazo para mudança de partido se deve 'à eventualidade de o PT perder o registro após 30 de setembro'. Quer saber se, nesse caso, há 'prazo de carência' para se filiar a outra sigla.
Muito além do jardim
Tentando manter distância do escândalo do 'mensalão', a bancada do PT na Câmara paulistana conseguiu aprovar projeto do vereador João Antonio que regulamenta a venda de orquídeas e bromélias. Os tucanos apelidaram o texto de 'para não dizer que não falei de flores'.
Prêmio abolido
O líder da minoria na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), defende agilizar a reforma política para acabar com a 'infidelidade premiada', em analogia à delação premiada, tão em moda nos escândalos em curso.
Mutirão legislativo
Acordo entre situação e oposição costurado pelo presidente da Assembléia paulista, Rodrigo Garcia (PFL), permitiu aprovar 42 projetos que vão da substituição gradativa da cola de sapateiro na indústria à criação da Ouvidoria Ambiental do Estado.
TIROTEIO
Do deputado federal Roberto Freire (PE), presidente do PPS, sobre as acusações de Rogério Buratti contra o ministro da Fazenda, Antonio Palocci:
- Houve um outro propinoduto do PT, anterior ao valerioduto. Será o presidente Lula a única flor nesse pântano?
CONTRAPONTO
Sem Cronômetro - Convidado pelo Instituto Fernand Braudel para debater a crise política, o senador Jefferson Peres (PDT-AM) dividiu a mesa na quinta-feira passada, em São Paulo, com o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) e com o ex-ministro Rubens Ricupero, na condição de debatedor.
Com habilidade, Peres evitou perguntas sobre aspectos formais da organização da CPI formuladas pelo diretor-executivo do instituto, Norman Gall.
O pedetista fez então uma introdução sobre o que chamou de 'vasto esquema de corrupção' operado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. No meio de sua apresentação, Peres consultou o anfitrião:
-Por favor, ainda estou dentro do meu tempo?
Bem-humorado, Gall respondeu, deixando-o à vontade, entre risos dos convidados:
-Isto aqui não é uma CPI. Aliás, estamos bem longe disso!