Não há caminho para a mudança que não o da mobilização. E transformação em qualquer sentido exige sair do lugar, mudar algo ou uma posição. Passamos por transformação pessoalmente quando mudamos nosso modo de pensar em relação a alguma coisa. Podemos mudar o modo de viver em nossa comunidade, apenas nos desfazendo de preconceitos e cismas em relação aos vizinhos, por exemplo.
O Brasil, por mais de uma vez, busca mudanças. Em 1984, foi para as ruas e pediu diretas-já e acabou obtendo no grito, no ano seguinte, colocar um civil na presidência depois de 21 anos de ditadura militar. Quando as diretas finalmente chegaram a maioria preferiu Collor a Lula, elegendo o mais perfeito e acabado resultado do marketing eleitoral do Brasil. O ano era 1989. Em 1990 a poupança dos brasileiros foi confiscada e em agosto de 1992 a maioria que havia sido fraudada, indignada pôs o presidente para fora.
Collor reinaugurou a eleição direta para presidente e inaugurou, então, no Brasil, o impeachment, palavra da língua inglesa que significa, mais ou menos, impedimento.
Foi um momento de alívio, proporcionado, mais uma vez, pela voz das ruas. A mesma voz que hoje está meio rouca, tímida, dividida. É perceptível o impasse na opinião pública. Muitos querem que a crise política se resolva logo, acabando com o pesadelo e as ameaças à estabilidade nacional, mas querem preservar o presidente Lula; outros tantos acham que a solução inclui uma espécie de "fora Lula", como sempre quis o partido dele, o PT, no tempo de Fernando Henrique Cardoso.
E talvez resida aí, no caso brasileiro, uma sentida parcimônia do povo diante da crise. Na dúvida plantada no coração do eleitor pela história e pelo comportamento pessoal do presidente, ainda irresistível como ser humano e por enquanto livre de máculas confirmadas como político. É certo que tem os amigos que tem, responsáveis pela bagunça em que se encontra a política nacional - e, agora também, com sinais negativos aparecendo na economia -, mas isso não o faz igual a Collor, por exemplo. Lula salva Lula.
É diferente da situação do Maranhão. Aqui misturam-se políticos de matizes partidárias e ideológicas bem diferentes, antes separados por causa disto (eles diziam), mas hoje ligados pelo mesmo interesse, em uma certa frente de libertação do Maranhão, alcunhada popularmente de frente de apoio à corrupção, por estar na defesa de um governo que acumula um histórico de incompetência e de denúncias de corrupção. Esses homens e mulheres vendam-se ao que está cada mais claro e ocupam palanques e tribunas para enaltecer uma administração cheia de buracos, como são as estradas que este mesmo governo deixa se deteriorarem.
Entretanto, o povo já começa a se manifestar. No interior aos poucos, na capital ainda timidamente. Mas, a consciência popular já se levanta porque, José Reinaldo não salva José Reinaldo. Tampouco os que ambicionam dele o cargo e o uso da máquina do Estado em favor de seus interesses eleitorais.