O ministro da Fazenda Antonio Palocci disse ontem que seu ex-assessor Rogério Buratti mentiu ao declarar aos promotores de Ribeirão Preto que a empresa Leão Leão teria pago propina no valor de R$ 50 mil por mês no tempo em que o ministro era prefeito do município.
As revelações do ex-assessor de Palocci na prefeitura de Ribeirão foram feitas depois que o Ministério Público aceitou conceder a Buratti o benefício da delação premiada, que pode reduzir sua pena por corrupção em até um terço. A assessoria do ministro disse que a Leão Leão fez doações de campanha para sua reeleição em Ribeirão preto e rejeitou "com veemência" as acusações do ex-secretário municipal. O ministro disse que todas as doações da empresa entraram de forma legal e foram declaradas à Justiça Eleitoral.
A denúncia de Buratti, revelada por um dos promotores que acompanharam seu depoimento ontem, envolve também o ex-assessor de Antonio Palocci, Ralf Barquete, já falecido, e que seria a pessoa responsável pelo recebimento da suposta propina e quem repassaria o dinheiro para o Diretório Nacional do PT.
Queda da Bolsa
A denúncia contra o ministro da Fazenda atingiu em cheio o mercado financeiro. O dólar teve a alta mais acentuada desde maio de 2004 e fechou a 2,450 reais. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que chegou a cair 2,9 por cento, e encerrou o pregão em queda de 0,95 por cento.
No Congresso, parlamentares reagiram com cautela às acusações. Mesmos oposicionistas ressaltaram que, embora a notícia fosse grave, era preciso de provas que confirmassem as informações de Buratti.
Palocci foi prefeito de Ribeirão em duas ocasiões: de 1993 a 1996 e de 2001 a 2002, quando deixou o cargo para participar da equipe do futuro governo Luiz Inácio Lula da Silva. As acusações de Buratti, segundo relato do promotor Silveira, dizem respeito à segunda gestão.