Na Cidade Operária, a conclusão da obra do Residencial Estrela D'Alva é aguardada com ansiedade por 460 famílias. Com o nome de fantasia de Residencial Alexandra Tavares, o loteamento representa o sonho da casa própria dos antigos ocupantes da área. A promessa feita aos "invasores" foi a de que o loteamento seria entregue em dezembro de 2004. Para isso, todos eles foram cadastrados. Até hoje os futuros proprietários esperam.
Tudo começou em agosto de 2003, quando algumas pessoas começaram a invadir o terreno no qual hoje está sendo construído o loteamento. Na época, o então gerente metropolitano Ricardo Murad conseguiu que os invasores deixassem a área, com a garantia de que ali seria construído um conjunto habitacional, cujas casas seriam destinadas aos ocupantes. À Gerência Metropolitana caberia a infra-estrutura das ruas; à Secretaria de Solidariedade Humana, dirigida por Alexandra Tavares, mulher do governador, caberia a construção das casas.
Até onde pôde, Ricardo Murad fez a parte dele. Mas, o governador José Reinaldo extinguiu a Metropolitana e praticamente deixou parar a construção das casas. A julgar pelo que se vê no local, os moradores ainda irão esperar muito. Em algumas casas apenas as paredes estão levantadas. E não são todas. Nada de cobertura, muito menos portas e janelas. O material usado é de péssima qualidade, segundo informa a representante da comunidade junto ao projeto e uma das cadastradas, Maria Clese Serejo da Silva, a Duda. "A maioria das casas está com problemas. O piso está rachando e os telhados arriando. Já comunicamos à Caixa Econômica Federal, mas aé agora não tivemos resposta", revela.
Duda fala de irregularidades na empresa responsável pela obra, a Politécnica Engenharia. Segundo ela, a firma não assina a carteira dos funcionários. Em função da demissão de muitos operários, há poucos funcionários trabalhando na obra, o que preocupa o pessoal que espera a conclusão das casas. "A firma não vale nada, não paga salário. Foi o sindicato que obrigou a pagar", diz Gilmário Costa, 49, pedreiro que trabalhou durante oito meses na construção. De acordo com ele, cerca de 120 operários foram demitidos recentemente.
Maria Clese afirma estar buscando da Caixa Econômica e da Secretaria de Cidades uma atenção maior para a questão. Queremos que eles cobrem da empresa. Segundo Clese, a própria Caixa, que faz a medição dos serviços, poderia estar mais atenta à qualidade do serviço. A moça afirma que um engenheiro da Secretaria de Cidades faz esse acompanhamento, mas é um pouco falho. "Creio que ele deveria ir mais à obra, dar mais assistência". A verdade é que o Governo do Estado, especificamente a Secretaria de Solidariedade Humana, não considera o conjunto prioridade.
Projetos sociais
"Essas casas eram para ter sido entregues em dezembro, há dois anos estamos esperando", reclama Clese, que teme que a obra ainda se arraste por muito tempo. "Estamos preocupados que as casas não saiam. A primeira etapa ainda não foi concluída. A segunda, que deveria ser iniciada em julho, até agora não começou. O primeiro prazo para a entrega era dezembro do ano passado. Não saiu nada. Depois, ficou para o meio deste ano. Não foi. Depois agosto. Nada".
A representante dos moradores diz que as pessoas, por falta de conclusão da obra, estão tendo muitos problemas. "As pessoas voltaram para a casa dos pais, ou estão pagando aluguel. É uma responsabilidade muito grande. Queremos uma resposta concreta do Governo e da Caixa. Todo sábado, os cadastrados se reúnem. As famílias querem saber como está o andamento da obra. Muitos moram no interior. Vêm até aqui para saber".
Maria Clese afirma que apesar de várias tentativas, nunca tiveram contato com a primeira-dama, Alexandra Tavares. "Há um ano tentamos falar com ela. Mas ela está sempre ocupada ou viajando". Ela diz que a mulher do governador José Reinaldo só apareceu no local no dia em que subiu ao palanque. "Ela se comprometeu com a gente e nunca mais apareceu. Não queremos só as casas. Esperamos que façam um trabalho social no projeto. Ela é secretária de Solidariedade. Têm muitas crianças carentes aqui. Precisamos de escolas".
Mesma coisa
José Arnaldo Santos, 44, mecânico, outro candidato a ter uma casa no local, diz que já participou de inúmeras reuniões e nada foi resolvido. "Rodei muito para assinar documentos. Fui várias vezes à Caixa Econômica da Cidade Operária", reclama.
Outro que reclama é Edivaldo de Jesus Lobato, 34, pedreiro, também cadastrado no projeto. Ele tinha dois terrenos na invasão. Pegou um para ele e outro para a filha da mulher com quem vive. "A conversa é sempre a mesma. Já querem fazer a 2ª etapa sem terminar a primeira. Reduziram os peões pela metade. Daqui para o ano 2006, 2010, sai. Um dia sai", ironiza. Antonia Marins, 40 anos, moradora da Cidade Operária há dez anos, diz que o filho também é cadastrado no projeto. "Quando começaram a invadir vieram aqui cadastrar. Até agora ele espera".