Na última sexta-feira, Veja Agora deu em primeira-mão a informação de que a temperatura média de São Luís havia subido três graus. Segundo Carlos Márcio Aquino Eloi, do Laboratório Meteorológico do Núcleo Ambiental da Uema, esse aumento seria resultado de queimadas, devastamentos e ausência de um projeto de arborização efetiva que deveria ser executado pela Prefeitura. Além do calor excessivo, o fenômeno pode causar graves doenças, como câncer de pele e lesões na retina.
Essas doenças podem ser ocasionadas pela energia direta e difusa vinda do Sol. Isso acontece porque a areia, a água, o asfalto e o concreto refletem raios solares para a pele e retina, queimando as células desses órgãos e causando lesões. Segundo o oftalmologista Romero Bertrand, nos últimos anos, aumentaram em São Luís os casos de catarata e degeneração macular (pequena área central da retina que permite enxergar detalhes com clareza).
“Há 20 anos, a catarata só aparecia em pessoas acima de 60 anos, mas hoje em dia a incidência dela em pessoas entre 40 e 50 anos é bastante freqüente em São Luís, cuja temperatura favorece esse tipo de doença. Para evitá-la, as pessoas devem usar lentes com proteção ultravioleta e boné com aba”, orienta.
Além dessas recomendações, o oftalmologista diz que as pessoas devem evitar óculos de má-qualidade, além de serem mais escuros que os recomendados pelos médicos, eles provocam uma dilatação maior da retina, deixando-a exposta aos raios solares. “Quem utiliza lentes de grau, deve sair à rua com as lentes fotocromáticas”, indica.
As pessoas também devem atentar para a alimentação diária, consumindo anti-oxidantes, presentes nas frutas mamão, laranja, acerola, morango, uva, maça, e nas verduras couve-flor, espinafre e alface. A dieta também deve conter alimentos ricos em vitamina A, celênio e zinco, que ajudam na saúde do corpo e, consequentemente, dos olhos.
Protetor solar
Os casos de doenças na pele, como o câncer, também vêm aumentado na capital. De acordo com a dermatologista Esther Milhomens, do Hospital Carlos Macieira. “Em geral, a incidência é maior após as férias, quando as pessoas pegam muito sol e não utilizam protetor solar, que tem que ser aplicado na pele a cada duas horas”, informa.
A exemplo do oftalmologista Romero Bertrand, Esther Milhomens afirma que o clima quente de São Luís favorece o aparecimento das doenças dermatológicas como marchas, vaso celular (lesão pré-cancerígena) e o próprio câncer. Quem trabalha diariamente na rua, caso de garis e vendedores ambulantes, deve tomar cuidado redobrado. Segundo a oftalmologista as pessoas devem usar protetor solar todos os dias e a cada duas horas. No caso de pessoas carecas, o protetor tem que ser passado até nas orelhas. As roupas devem ser adequadas ao local de trabalho. Outra recomendação é atentar para a qualidade dos protetores.
De passagem por São Luis, o paulista Rildo Alves não resistiu à praia da Ponta D’Areia e resolveu tomar “banho” de sol, não antes de passar protetor solar em todo o corpo. “Eu o uso há quatro anos por recomendação de um dermatologista, não se pode brincar com a sorte. Apesar de trabalhar em escritório, sempre que saio passo protetor”, conta.