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Tadeu Palácio não cumpre promessa e trabalho da prefeitura é pífio

Fonte: Edição 25
Data de Publicação: 21 de agosto de 2005
 
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O prefeito Tadeu Palácio dá mostras de que dividiu o mandato dele em três partes. A primeira de 2002 a 2004, período em que assumiu o cargo, depois que Jackson Lago abandonou a prefeitura em busca de sua maior ambição – ser governador do Estado. Logo nos primeiros meses Tadeu encaixou seus interesses no governo. Aproveitou que Jackson deixou a Coliseu sucateada e a cidade coberta pelo lixo e decretou um estado de emergência que dura até hoje, sob os olhos e a complacência de autoridades judiciárias, colocando duas empresas de outros estados (Limpfort – Paraíba e Limpel - Ceará) para “resolver” o problema da limpeza pública.

Ao mesmo tempo, também sem licitação e em caráter de emergência, contratou uma empresa francesa para cuidar da iluminação. Estava traçado ali o roteiro daquilo que seria conhecido em 2004 como o marketing de Tadeu. A essa estratégia incorporou-se, mais tarde, o INPUR, um instituto cujo objetivo seria melhorar o visual da cidade, com a implantação de um projeto de paisagismo que mudaria a cena urbana. Era o tripé da campanha de reeleição do prefeito.

A segunda etapa do “primeiro mandato” de Tadeu Palácio foi a campanha eleitoral em si. A fase do exército de garis nas ruas e da propaganda maciça da iluminação e da limpeza. Deu certo. Até algumas palmeiras foram plantadas nas principais avenidas e os garis fardados de amarelo, verde ou vermelho bem chamativo ocupavam os canteiros e passavam dias aparando grama. Na TV, quando começou a propaganda eleitoral a população foi apresentada ao prefeito dos projetos e das obras virtuais. Coisas que até hoje, dez meses depois, nem começaram. Na verdade, nem saíram dos planos dos marqueteiros do prefeito.

Foi na campanha que alguns tropeços da conduta moral e política de Tadeu Palácio ficaram conhecidos. Alguns escandalosos, outros até hilários, mas não menos sérios. “Blindado” pela incansável propaganda que fez durante os meses anteriores à campanha política e abrigado sob a desculpa de que tudo o que se dizia dele e contra ele era perseguição e campanha de adversários, Tadeu livrou-se do “gato”, da “casa de Cafeteira”, da declaração de renda ao TRE, das empresas de parentes favorecidas pela prefeitura e outras denúncias veiculadas nos programas de Ricardo Murad, Helena Heluy e João Castelo.

Perto da eleição

A terceira parte do mandato de Tadeu começará no ano que vem e se estenderá até as eleições, haverá um intervalo e ele voltará à carga em 2008, ano que precisará eleger seu sucessor e ampliar o período da oligarquia implantada por Jakson Lago e da qual ele é filhote.

A segunda parte, esta que vivenciamos, é a da punição. Tadeu Palácio, insensível à falta de estrutura e de assistência por que passam os bairros de São Luís, notadamente os mais pobres, faz uma administração burocrática, mantendo (e mal) alguns serviços básicos, porém sem demonstrar que tenha qualquer planejamento ou projeto de razoável envergadura para a capital. Apega-se a programas baratos, em que emprega o discurso da assistência social, mas deixa obras de escolas pelo caminho; larga o asfalto com pedaços arrancados, lombadas defeituosas e buracos; os moradores dos bairros pobres convivem com a poeira, a lama e os esgotos a céu aberto; a dengue chega ao ponto da epidemia; os monumentos são ameaçados pela ausência da guarda municipal e compõe-se um retrato triste da cidade, enquanto que as promessas de campanha – socorrinhos, centro de atenção ao idoso, casas populares, empregos, passagem de ônibus mais barata e passe estudantil sem identificação, entre outras – confirmam-se como lorotas eleitorais. Tadeu e seu grupo querem que caiam no esquecimento, pois no ano que vem eles farão outras, na tentativa de eleger seus deputados e o candidato a governador da frente de apoio à corrupção. Tem gente que aceita a proposta. Veja Agora aposta que a maioria da população não vai engolir mais esta.

Nas próximas páginas Veja Agora republica algumas das matérias feitas nos bairros de São Luís, sobre o estado em que se encontra a cidade, com a população morando cada vez pior, enquanto Tadeu se prepara para mudar de mansão e brinca de fazer política na frente de apoio à corrupção.

ALGUNS DOS DEFEITOS DE TADEU QUE A CAMPANHA DE 2004 MOSTROU

Empresas de parentes ganharam dinheiro


Primeiro foi a mansão de Cafeteira. Tadeu autorizou a prefeitura a comprar a casa do então correligionário, no Filipinho, por R$ 245 mil, sem licitação. Argumentos: a casa, uma mansão com piscina e campo de futebol seria a ideal para a construção de um Centro de Atenção ao Idoso, onde Tadeu ainda gastaria cerca de R$ 1 milhão na adequação do imóvel. Apesar de ter comprado a casa no mesmo ano da eleição e de uma pessoa do mesmo partido, sem licitação, embora amparado na lei para isso, Tadeu reclamou do questionamento moral da transação. Até hoje a casa está do mesmo jeito. Ninguém sabe do dinheiro federal e ninguém fala mais do centro do idoso.

Em seguida São Luís ficou sabendo que Tadeu, ainda quando era vereador, foi flagrado pela Cemar fazendo gato de energia em sua casa e na fábrica de cerâmica de sua esposa. Um mau exemplo que Tadeu superou posando de vítima de campanhas orquestradas, quando, de fato, cometeu o ilícito, que o Código Penal configura como furto (artigo 155, parágrafos 3º e 4º do Código Penal Brasileiro). A casa de Tadeu tinha ar condicionado em todos os cômodos e só um dos fornos da fábrica de produtos cerâmicos da mulher dele consumiria energia que daria para iluminar várias casas.

Ainda na campanha, o jornal O Globo, do Rio de Janeiro tornou nacional outro escândalo atribuído ao prefeito de São Luís. Segundo o jornal, “pouco depois de Palácio assumir a prefeitura, o município realizou vários negócios com empresas de sua família. Entre os meses de agosto e novembro de 2002, o Diário Oficial de São Luís registrou seis contratos por tomada de preço com a empreiteira Opus Engenharia, que totalizaram R$ 843 mil. Segundo certidão da Junta Comercial do Maranhão, a Opus é de propriedade de Carlos Fernando D’Aguiar Silva Palácio, irmão do prefeito. Os serviços prestados pela Opus foram de terraplenagem e recuperação de asfalto.

Um outro contrato, de aluguel de 14 carros com a Frota Rent a Car por um ano, custou aos cofres municipais R$556 mil. A Frota é de propriedade de Francisco Frota Carneiro Neto, sobrinho de Palácio. Em dezembro de 2002, a construtora Francali ganhou dois contratos da prefeitura para fazer serviços de drenagem. A empresa, que também é de Francisco Frota, recebeu R$ 297 mil”. (O Globo Online, 24/09/2004).

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