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Filas aumentam, mas prefeitura deixa o Socorrão III desativado

Fonte: Edição 25
Data de Publicação: 21 de agosto de 2005
 
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Em estado de coma. Esse é o quadro da saúde pública de São Luís na administração do prefeito Tadeu Palácio. Lentidão no atendimento, filas longas e exames marcados para daqui há dois ou três meses. Nas Unidades Mistas de Saúde de São Luís quem sofre é o povo, que morre nas filas, é atendido nos corredores em macas enferrujadas e é despachado pra casa por falta de medicamentos.

Essa situação sempre foi motivo de reclamação por parte da população. Um insatisfeito é o aposentado Custódio Carvalho. Morador do bairro de Trizidela da Maioba. Ele levou a esposa para ser atendida na Unidade Mista do São Bernardo – UMSB, na última terça-feira e não gostou do que viu. “Ela chegou sentindo muita dor de cabeça. Precisava ser atendida logo, mas teve que aguardar mais de uma hora na fila para receber a atenção de um funcionário. Eu a trouxe para cá porque onde moro não tem posto de saúde por perto e o caso dela era urgente”, conta.

A reclamação do aposentado encontrou eco em Natan Cruz de Sousa, residente no São Bernardo. “Pela manhã a coisa é mais grave. Tem gente que chega antes das quatro horas da madrugada e só é atendida lá pelo meio-dia. As filas são longas porque o posto atende às comunidades de Juçatuba, Tajipari, Vila Magril, São Paulo, Maioba e do nosso próprio bairro. É muita gente para ser atendida apenas por dois médicos”, revela. 3 meses de espera.

Na tentativa de minimizar o drama da gente pobre que procura sua unidade, a administradora da UMSB, Nilde Lopes acaba confessando a verdade: “Eles reclamam porque as consultas agora estão levando de dois a três meses para serem marcadas. A mudança veio da Central de Marcação. Temos dado prioridade aos casos de urgência”, afirma. O posto atende em média entre 150 e 250 pessoas por dia, nas especialidades de ginecologia, pediatria, clínica médica e exames.

Garganta inflamada, dor no corpo e febre alta. Mesmo com todos esses sintomas o pai da estudante Liliane França teve que ficar em uma fila de espera no setor de preenchimento de ficha da Unidade Mista do Itaqui Bacanga e aguardar por atendimento por mais de uma hora. “Ele não está nada bem. Não consegue nem falar. É triste como eles tratam a gente”, lamentou a adolescente.

Drama igual viveu a aposentada Josefa de Jesus Teixeira. “Minha netinha também estava com a garganta inflamada e febre, mas teve que esperar muito para ser atendida. A primeira espera foi no setor de fichas; a segunda, dentro do posto, pela consulta com o médico. A demora está muito grande. Ninguém agüenta”, diz.

Censura no Bequimão

Já na Unidade Mista do Bequimão as queixas se referem ao atendimento de pacientes no interior do posto de saúde. “Recentemente minha afilhada e outros pacientes foram atendidos e medicados em macas espalhadas nos corredores do hospital. Simplesmente não havia salas ou enfermarias para eles serem atendidos e ficaram expostos, pois não parava de passar gente na hora da medicação”, denuncia um empresário que preferiu não dar o nome por temer retaliações contra sua parente.

De acordo com o diretor administrativo da Unidade, George Campos é normal atender pacientes em maca nos corredores do posto. “O nosso procedimento não difere das demais unidades mistas ou Socorrões. As macas existem para fazer o atendimento de urgência, pois há casos em que a pessoa não pode ficar aguardando em umacadeira de rodas ou bancos”, defende. Ele não permitiu fotografias do atendimento e mostrou uma portaria que proíbe a imprensa de trabalhar no local.

Socorrão III

Enquanto a população de São Luís perde o tempo e a paciência nas longas filas das unidades mistas da Prefeitura, o desativado prédio do Socorrão III, localizado no bairro do Anjo da Guarda, é alvo de depredações e vandalismo.

O prédio abrigou por pouco mais de um ano serviços e funcionários do hospital Djalma Marques, o Socorrão I, enquanto este passava por reformas. Quando as obras chegaram ao fim, o edifício do Anjo da Guarda foi desativado.

Nas eleições de 2004, o prefeito Tadeu Palácio chegou a falar em reativação do prédio com a instalação do Hospital de Atendimento à Mulher, o que não passou de promessa de campanha, pelo menos até momento.

Atualmente o prédio é guardado por um vigia, que tenta inibir a ação de vândalos. Um muro improvisado com placas de alumínio tenta evitar a depredação do edifício que já apresenta janelas de vidro quebradas, mato e entulho na frente.

Veja Agora procurou ouvir a Prefeitura e a Secretaria Municipal de Saúde sobre a situação das unidades mistas e sobre o Socorrão III, mas até o fechamento desta edição a Assessoria de Comunicação do Município, acionada pelo jornal, não retornou os contatos feitos.

Você quera ativação do Socorrão III ?

“Sim. Se ele estivesse funcionando a gente não teria que se deslocar até a Unidade Mista do Itaqui- Bacanga. Não temos dinheiro para ficar pagando passagem todo dia para fazer consultas”.

Ana Rosa Lopes, dona-de-casa

“Sim.Adistância para procurar atendimento médico no Centro é muito grande para a gente. Prefiroumhospital perto de casa. Quando ele funcionava no Anjo da Guarda, vim várias vezes me consultar”.

Idalina Alves da Silva, 59 anos, aposentada

“Seria melhor. Quando se procura a Unidade Mista do Itaqui-Bacanga a gente sempre tem que ir de madruga e acaba correndo risco de assalto. Eumesma já fui assaltada uma vez”.

Elizângela Borges Santos, 26 anos, dona-de-casa

“Seriabom. O Socorrão I está sempre lotado. E ainda seria uma ganha-pão para mim, pois na época que o Socorrão III funcionava meus filhos vendiam coco d’água para quem vinha buscar atendimento”.

Lázaro Santos Dias, 52 anos, segurança.

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