Grandes geradoras de emprego e renda, as feiras fazem parte da história de São Luis. Cada bairro tem a sua feira particular, com suas características e peculiaridades. Existem as mais antigas, as maiores, as mais tradicionais, mas todas têm a merecida importância. Muitos dependem deste trabalho para sobreviver e sustentar várias pessoas.
A feira do Mercado Central, a mais antiga da cidade, foi fundada em 1937, devido ao grande número de feirantes que não tinham onde trabalhar e comercializavam suas mercadorias por conta própria, ao ar livre. “Hoje trabalham aqui cerca de 1500 feirantes, diretos e indiretos, já que muitos contam com o auxílio de dois ajudantes”, conta Sebastião Oliveira, administrador do Mercado Central.
Sempre muito movimentado, no Mercado Central podem ser encontrados, quase todos o produtos típicos da Ilha como alhos, ervas, temperos, o camarão rosa, pescado em Tutóia, e a farinha biriba, por exemplo.
Outra feira muito tradicional é a do João Paulo, criada em 1978, na Praça Ivar Saldanha. Depois foi transferida para um espaço no João Paulo, cedido pela prefeitura. Um mercado foi construído, já que o número de feirantes era muito grande.
Em 1999, a prefeitura terceirizou o mercado para os feirantes de São Luís. Segundo a presidente da feira do João Paulo, Domingas Cutrim, foi bom porque as pessoas tomaram mais cuidado, mas o poder público nunca mais fez reparos na estrutura, nem na fiação elétrica. “O dinheiro que arrecadamos só dá para manter nossos funcionários, que são muitos. O poder público é muito ausente”, reclama.
Situação precária
A feira da Cohab, por sua vez é uma das maiores da cidade. De acordo com o vendedor de bebidas Walter Lima, a feira surgiu quando os conjuntos habitacionais da Cohab foram construídos. “A feira deve ter uns 30 anos, pois estou aqui há 20 e ela já existia há um bom tempo”, explica. Hoje as reclamações giram em torno da infra-estrutura, que, segundo Seu Lima, está precária. “Muitas solicitações à Prefeitura são feitas, mas nenhuma é atendida. A Prefeitura diz que faltam recursos para esse fim. Na verdade, fomos abandonados pelo poder público”, denuncia.
O CEASA também é uma referência quando falamos de feiras. A cooperativa que o administra abastece todas as feiras-livres e conta, hoje, com 110 associados. A cooperativa é formada por um grupo de comerciantes, cada um responsável pelos produtos que vêm de todo o país.
Quanto à qualidade dos produtos, “a cooperativa acompanha e fiscaliza. No entanto, o próprio consumidor faz esse trabalho. E como a concorrência é grande, o feirante também tem que oferecer bons produtos”, conta o presidente da cooperativa. “Trabalho aqui há oito meses. Vendo no varejo e atacado. Vendo bananas, que vêm da Bahia e de Pernambuco e quando chegam, a seleção é feita aqui mesmo, já que muitas frutas maduras estragam rápido. Trabalho aqui todos os dias e abastecemos, principalmente, sacolões e feiras livres”, explica José Reinaldo, 32 anos.
Para que um feirante possa trabalhar na CEASA, é necessário que este procure a cooperativa e se cadastre. Os que trabalham apenas no sábado, dia de varejo, pagam uma taxa de cinco reais. Já os que trabalham diariamente pagam mensalmente um valor calculado sobre o metro quadrado da loja, que custa R$ 7,99. Segundo Chico Estrela, presidente da cooperativa de hortifrutigranjeiros do Maranhão, “a taxa deve ser paga, já que o CEASA tem toda uma despesa com limpeza, energia e segurança”.
A LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA
A feira também é palco de muitas histórias de pessoas batalhadoras que lutam diariamente para manter a família. Ali, o movimento começa muito cedo. Para centenas de pessoas, é o palco de uma verdadeira batalha, a história de gente como Dona Maria Hermógena, 55 anos, que trabalha no Mercado Central. “Sou feirante há 32 anos, comecei ajudando meu pai, que era peixeiro. Ele morreu e fiquei ajudando colegas. Depois, resolvi comprar minhas próprias coisas para trabalhar”, conta. Fatura de R$ 100,00 a R$ 170,00 por dia. “Começo de mês era bom, mas agora está pior que o final”, lamenta Dona Maria, achando o movimento da feira bem mais fraco. Sustenta nove pessoas, entre seus filhos e os de sua irmã falecida.
Como todo emprego tem suas dificuldades, o feirante, muitas vezes, passa por apertos já que precisa ter sempre dinheiro para comprar seus produtos. “Trabalho aqui há 15 anos. Compro as laranjas todos os dias, aqui mesmo no CEASA. O ruim é que às vezes não tenho dinheiro para comprar na hora”, conta Bernardo das Neves, de 50 anos.
Seu Walter Lima, 51 anos, vendedor de bebida, feira da Cohab. Começou a ser feirante há 20 anos. Vendia lanches, mas passou a comercializar bebidas, por serem produtos não perecíveis e, por isso, não há desperdício de mercadoria. Seu Walter acorda às 5h da manhã e junto com a mulher, que também trabalha, sustenta com o salário mínimo que fatura por mês, uma família de três pessoas . Ele acha que temumbom emprego. “a feira é umquestão de sobrevivência, onde posso ter uma vida digna, não pelo espaço, mas pelo serviço. Não dou trabalho à sociedade”.
Dona Rita, 80 anos, é feirante há 55. Hoje vende frutas na feira do João Paulo e o que ganha dá mal para se manter. “Às vezes tenho é prejuízo, mas nunca fico devendo ninguém. Sempre tenho crédito no CEASA”, conta. Ela diz também que as condições da feira são péssimas, o movimento é pouco e seu lucro também. Por outro lado, ela se diz feliz, já que a feira é também seu passatempo, sua diversão, o lugar onde passou boa parte de sua vida e criou seus filhos. “Acordo todos os dias às 04h30min. Meu filhoquerqueeuparede trabalhar, mas estou aqui pra não entrevar”.