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Falta estrutura, sobram problemas

Fonte: Edição 25
Data de Publicação: 21 de agosto de 2005
 
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Nem José Reinaldo nem Tadeu Palácio olham para a Cidade Olímpica


Distante cerca de uma hora do centro de São Luís, a Cidade Olímpica é mais um exemplo do notório descaso do prefeito Tadeu Palácio para com os pobres. Ali , por todo lado tambémé visível o abandono do poder público estadual. Considerada a segunda maior ocupação da América Latina, segundo informam membros da Associação de Moradores do lugar, o bairro, que faz jus ao nome em dimensões (parece uma cidade, de tão grande), tem exatas 494 quadras, 36 ruas e 6 avenidas onde se aglomeram 65.000 (sessenta e cinco mil) habitantes.

A grandeza dos números, entretanto, contradiz com a atenção dada ao local pela administração pública. Lá falta tudo. Falta saneamento básico, escolas, segurança, atendimento médico de emergência, abrigos nas paradas de ônibus (ao longo da avenida principal são apenas dois) e lazer para a população. A iluminação pública é precária. Esgoto não existe. E, para completar o sacrifício da população, a passagem de ônibus custa R$ 1,70.

De toda a malha viária do bairro (pasmem!), apenas duas avenidas possuem asfalto. Nas outras quatro avenidas, assim como em todas as ruas, o pavimento não passa de piçarra. Isso quando há piçarra. Em alguns pontos, tudo o que se pode divisar é mato, lixo (abundante na área) e buracos, muitos buracos. Alguns enormes, como o que existe na Travessa H - uma grande vala que impede a passagem de carros, serve de lixeira e prejudica a vida dos moradores da proximidade. Entre os muitos transtornos causados pela vala, o fechamento de uma creche, situada ao lado do buraco. Quem informa é Alda Maria Figueredo, 32 anos, dona-de-casa e moradora do lugar há 4 anos.

De acordo com a moradora, já faz muito tempo que a creche deixou de funcionar. Perguntada sobre o acúmulo de lixo no local, Alda afirma que “não recolhem lixo lá. Em algumas ruas o caminhão não passa. Querem que a gente vá colocar o lixo na avenida”, reclama. Alda se ressente também da falta de escolas. Diz que em função disso muitos alunos estudam em escolas comunitárias, mantidas pelos moradores, e cujas taxas variam de R$ 10,00 a R$ 25,00. Fala de uma escola pública situada “lá em cima”. Diz que a escola fica muito distante e não atende à demanda de crianças da área.

Sem ensino médio

Segundo ela, na Cidade Olímpica não existe ensino de 2º grau, só ensino fundamental ministrado no Azulão – como é popularmente conhecida a escola municipal do bairro. De acordo com informações da moradora, a Unidade Integrada Cidade Olímpica – o Azulão, estaria funcionando em 10 anexos – 10 salas alugadas onde os alunos estariam recebendo aulas em três turnos – manhã, tarde e noite. “As salas são lotadas”, diz.

O presidente da Associação de Moradores do bairro, Darlan Ferreira Mota, confirma. Diz que são três escolas no bairro, uma de ensino fundamental e duas de jardim. Segundo ele, outra escola de ensino fundamental será inaugurada em breve. Diz que existem dez salas de aula alugadas pela Prefeitura, hoje funcionando como anexos do Azulão e que a escola a ser inaugurada vai abrigar os alunos dessas salas. Darlan considera que a demanda de alunos é grande e diz que muitas crianças estudam em outros bairros, “umas 3.000”, avalia.

José Luís Menezes, porteiro, morador e um dos fundadores do bairro, concorda. “Aqui muita gente termina o 1º grau e tem que estudar na Cidade Operária, porque não tem 2º grau. A maioria vai a pé. O rapaz tem duas filhas – uma de 9 anos e outra de 12. Diz que as filhas não freqüentam as escolas do lugar. Uma estuda particular e a outra é aluna de uma escola na Cidade Operária. “Aqui as escolas são pequenas e têm muito aluno. É desorganizado. Quero uma qualidade melhor para minhas filhas”.

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