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Prefeitura não dá a mínima para o Coroadinho

Fonte: Edição 25
Data de Publicação: 21 de agosto de 2005
 
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"Ele não é esse terror que as pessoas falam. É até um bairro bom de viver. O problema são as promessas que fizeram para melhorar a comunidade e que até hoje não cumpriram". O depoimento é da donade- casa Mariana Penha Silva, moradora há mais de 20 anos no Coroadinho.

Originário do bairro do Coroado, próximo à Avenida dos Africanos, o Coroadinho teria começado com uma invasão na década de 80, ocasionada justamente por causa da superlotação do Coroado.

"Na época, o bairro não tinha mais terreno para se construir. Aí, os moradores viram uma área próxima e começaram a fazer casas. Como eram oriundos do Coroado, resolveram chamar o novo bairro de Coroadinho", conta a moradora mais antiga do lugar, Graça Rebouças.

Como não havia transporte coletivo, os moradores tinham que andar três quilômetros para chegar à parada de ônibus mais próximo, na Avenida Médice. "A gente chegava imundo ao trabalho ou ao colégio. As coisas só melhoraram de alguns anos para cá. Mas os ônibus não são dos melhores", relata.

A fama de bairro perigoso, segundo Graça Rebouças, não corresponde à realidade do Coroadinho. "Ninguém sabe exatamente quando essa história começou. Tudo de ruim costuma relacionar com a gente. É assim mesmo, as pessoas acham que onde tem pobre, tem bagunça; os ricos também aprontam, mas têm dinheiro para esconder suas sujeiras", opina.

Segundo o soldado Ivan Ferreira de Santana, do posto policial da Vila São Sebastião, as ocorrências policiais na área vêm diminuindo há quatro meses. "Antes tinha muita briga de gangue e assalto à mão armada. hoje eles são esporádicos", diz. O posto funciona com 16 policias, em turnos de três, e três viaturas.

Saneamento básico

Apesar de ter 25 anos, o Coroadinho ainda sofre com problemas de saneamento básico, estradas e avenidas esburacadas, ausência de escolas do ensino médio, posto policial e hospitais. "A gente vive de promessas não cumpridas. Até uma ocorrência policial tem que ser registrada em um bairro que saiu de dentro de nós", conta o morador José de Ribamar Frós.

A avenida que corta parte do bairro leva o nome de ladeira da Babilônia e também é motivo de reclamações por parte dos moradores. "Os ônibus descem em disparada, não importa se passam bicicletas, carroças, crianças ou animais. Essa pista precisa de lombadas para diminuir a velocidade dos carros", conta o morador Aurélio Fernandes Morais.

Veja Agora procurou saber junto à Prefeitura se havia algum projeto de melhoria para o Coroadinho. A assessoria de comunicação do Município informou que só a Semsur poderia fornecer dados sobre o assunto. Tanto o secretário como a assessora de imprensa do órgão foram procurados, mas não atenderam os respectivos telefones.

Vila São Sebastião

A vila São Sebastião, fundada pelo ex-vereador Sebastião do Coroado, é umcapítulo à parte na história do Coroadinho. Até o momento, os moradores não sabem se ele é um bairro independente ou mero anexo do outro.

"Nós moramos aqui há 15 anos.Avila começou de umas doações de terreno feitas pelo Sebastião Curador (do Coroado).Agente nunca teve serviços urbanos. A nossa água é de poço, a nossa iluminação pública é péssima, não temos escolas e a única coisa boa é se contar comum posto policialque diminuiu as ocorrências no bairro", conta o presidente da União de Moradores, Aluízo Ferreira dos Santos.

Apesar de esses problemas serem sérios, o mais grave, segundo o presidente da União, são as casas construídas debaixo das torres de transmissão de energia elétrica. "Tem gente que mora nesse risco todo porque não tem para onde ir. O pessoal da Eletronorte já colocou placasproibindoaprática, mas ninguém sai", conta.

A vila tem cerca de 15 famílias. Um quarto vive debaixo das torres. "Eles lêem a placa ao contrário. Em vez de: é proibido morar debaixo das torres, eles devem entender é: morem debaixo das torres. Acho que é a necessidade que faz isso" opina o morador João Batista Lima.

Já a moradora Fabiana Sá afirma que nunca foi registrado qualquer acidente na área das torres. "Graças a Deus. Apesar do risco que a gente corre nada aconteceu até hoje. Mas eu acho que as pessoas não deveriam esperar pelo pior para semudarde vez", declara.

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