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Abandonada, Vila Palmeira é o retrato nuda falta de governo

Fonte: Edição 25
Data de Publicação: 21 de agosto de 2005
 
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O bairro da Vila Palmeira é um exemplo dos contrastes em nossa cidade. Ele começou a se formar nos anos 70 e é o maior do complexo que compreende ainda o Cema Detran, Salinas e Santa Júlia.

As ações da Prefeitura não chegam ao bairro todo e muitos se sentem enganados pelo prefeito Tadeu Palácio, que durante a campanha fez promessas mirabolantes que sabia que não iria cumprir.

O seu crescimento rápido e não planejado deu margem para que algumas áreas ficassem desamparadas. Do lado bom do bairro temos um comércio diversificado, creche, escolas de nível fundamental, médio e técnico, sendo uma federal; postos de saúde próximos, como no Radional, transporte coletivo, iluminação pública e a regular limpeza pública.

Em contraponto, percorrendo as principais ruas, apesar da maioria ser asfaltada, encontramos esgotos expostos em quase todas elas, sendo essa é a reclamação principal dos moradores. Na rua São Raimundo e na Travessa da Mangueira, por exemplo, nem asfalto tem e o esgoto corre a céu aberto, expondo a população a doenças. "A Caema vem e desentope, mas não resolve o problema e logo entope de novo", afirmou Nilton Machado, que mora no local há 8 anos e diz que desde quando chegou ao local o esgoto escorre pela rua.

Insegurança

Outro problema é com a segurança. "Há assaltos até durante o dia", disse a comerciante Antonia Costa. Segundo informou o presidente da União dos Moradores do Bairro da Vila Palmeira, Zedequias Coelho da Silva, existe apenas um carro para fazer ronda no complexo todo.

A feira, que tem 24 anos de fundação, nunca passou por uma reforma. Adalton França, vice-presidente da Associação dos Feirantes da Feira da Vila Palmeira, reclama que "a parte estrutural está bastante comprometida, as armações de ferro estão corroídas pela ferrugem, o sistema de esgoto não é suficiente e constantemente entope. Uma reforma com mudança na planta é necessária", cobra Adalton, que também exige maior segurança na área. "Como a feira é toda aberta, sem proteção, isso aqui vira uma boca-de-fumo. Numa dessas ocasiões um vigia foi agredido".

Risco fatal

Situação crítica é a dos moradores das palafitas. Cláudio Santana Santos mora há 11 anos sobre o rio Anil e disse que nunca recebeu visita de alguma autoridade prometendo melhorar a situação. Sua vizinha, Neide Almeida, tem 5 filhos e reclama do perigo que seus filhos sofrem: "Mesmo com o mangue seco eles correm riscos, pois podem cair sobre um pedaço de madeira e se machucar". Ela denunciou que ficou dois dias internada porque escorregou numa das pontes de madeira quando ia pegar água e se machucou com certa gravidade.

O fornecimento de água é insuficiente, além de ser em dias alternados, nos locais mais elevados ela nem chega. Zedequias lamenta não terem apoio nem municipal nem estadual. Acha que é por falta de um "padrinho". Ele mesmo tenta há muito tempo conseguir uma escola de nível infantil para o bairro e não consegue sequer entrar em contato com o órgão competente.

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