Por: Itamargarethe Corrêa Lima
Da Editoria de Polícia
Pino, bilhete premiado, Conto do vigário, premiação por telefone e golpe via internet. Os nomes são os mais diversos possíveis. Na verdade tudo se resume ao famoso 171, ou seja, crime de estelionato, assim definido pelo Código Penal, cuja pena varia de um a cinco anos de reclusão. De acordo com informações do titular da Delegacia de Defraudações, delegado Paulo Aguiar, a variação do tipo de golpe vai de acordo com o desgaste do golpe no meio social. "Quando à imprensa, através das ocorrências policias registrada pelas vítimas, começa a divulgar o estilo usado pelos estelionatários, o 'mercado' vai se fechando, fazendo com que eles procurem um novo modus operandi para agir", informou o delegado.
De acordo com as estatísticas, mensalmente, 20 novas denúncias são feitas na delegacia especializada. Atualmente, o golpe que está conseguindo fazer um grande número de vítimas é o da premiação por telefone. "Eu estava em casa quando o telefone tocou. Do outro lado da linha uma voz de mulher informou que, num sorteio da Tim, fui premiada com uma TV 20 polegadas. Nossa, dei pulo de alegria. Mas daí a voz do outro lado continuou falando. Você também poderá ganhar um DVD, mas para isso, é preciso que adquira três cartões pré-pago de 15 reais, dois de 25 e um de 50 reais e repasse o número de série para que o sorteio seja concluído", declarou a professora Iolanda Maria Silva Castro, residente no Cohatrac II.
Depois de repassar os números e os dados pessoais, a professora ficou esperando que a TV e o DVD chegassem, no entanto, isso nunca aconteceu. De posse dos números, o golpista vende os cartões, conseguindo arrecadar em média de 150 reais. "Atualmente, esse é o tipo de golpe que mais está sendo aplicado em SL. E, apesar da vítima nos fornecer o número do telefone originador da chamada através do bina, o aparelho é desativado logo após o crime, dificultando o trabalho da polícia", disse o delegado. No caso acima, a vítima não tem um perfil determinado e qualquer um pode acabar por cair no papo do estelionatário.
Troca-troca de cédula
Outro golpe muito comum nas ruas da capital é o popularmente chamado de "pino". Nesse caso, sempre bem vestido e usando um bom papo, a pessoa chega e pede à vítima troque uma cédula de 50 reais, por outras de menor valor. Após a troca do dinheiro, o golpista pede a importância de volta e entrega uma nova cédula de 50 reais, pedindo ao incauto que lhe troque outra vez. A intenção é confundir a pessoa para, no final do troca-troca de cédulas, a vítima acabar ficando no prejuízo.
Foi o que aconteceu com a vendedora ambulante Leila Maria, residente à Rua da Palma. "Estava aqui quando chegou um senhor falante e muito bem arrumado pedindo que eu trocasse 50 reais. Como a venda estava boa, troquei o dinheiro sem problema, daí ele puxou outra cédula. Não sei nem como ele fez isso. Parece que me hipnotizou, só sei que quando percebi estava sem os 50 reais", contou a ambulante. Nesse tipo de golpe geralmente pessoas com pouca instrução são os principais alvos.
Escolhendo suas presas
Os aposentados também são alvos preferenciais dos estelionatários. Entretanto, nesse caso, as escolhidas geralmente são mulheres que, através do modo de vestir, aparentam ter um rendimento mensal alto. "Já tivemos várias aposentadas que foram vítimas do famoso conto do vigário ou bilhete premiado. Nesse tipo de golpe, o valor do prejuízo da vítima geralmente passa dos 10 mil reais", informou o delegado.
O golpe obedece o seguinte ritual: o espertalhão escolhe sua vítima na fila de um banco, que é abordada por uma pessoa vestida de forma bem humilde e lhe oferece um bilhete "premiado" da loto, sena ou mega-sena, por um valor bem abaixo do falso prêmio. O "vendedor" alega que precisa viajar às pressas e está vendendo o bilhete porque não tem tempo para receber o dinheiro. A vítima então saca o dinheiro da conta e paga o bilhete. Somente quando tenta receber o prêmio a pessoa descobre ter sido enganada.
Mesmo quando a vítima alega não ter dinheiro em conta, uma terceira pessoa - que também faz parte da quadrilha e está na fila -, sugere à vítima que ela faça um empréstimo para comprar o bilhete e pague em seguida. Foi isso que aconteceu com um fiscal aposentado do Ministério do Trabalho, que preferiu não se identificar, cujo prejuízo foi de 5 mil reais. "Eu comprei o bilhete da sena, cujo prêmio era de milhões e milhões na fila de uma agência do BB. Só constatei que havia sido enganado quando fui receber o tal prêmio", confessa o ingênuo aposentado.
Piratas de computador
Antigamente as pessoas tinham medo do bicho-papão e bomba atômica. Hoje, todos temem os hackers, popularmente chamado de pirata de computador. Esse tipo de crime se propagou muito em todo o País, bem como em São Luís, no entanto, poucas pessoas, efetivamente, foram presas. Apesar desse tipo de crime ser geralmente investigado pela Polícia Federal, na capital maranhense algumas quadrilhas já foram presas e desbaratadas pela equipe da Delegacia de Defraudações. No entanto, seja na esfera federal ou estadual, a legislação acaba beneficiando os golpistas, pois a lei permite que nesse tipo de crime seja concedida liberdade provisória, mediante pagamento de fiança, fazendo com que os acusados sejam soltos em um curto espaço de tempo, voltando a agir.
Dicas para que você não seja mais uma vítima
De acordo com o delegado Paulo Aguiar algumas medidas podem ser adotadas pelas pessoas para que não aumentem as estatísticas quanto ao número de vítimas, entre elas:
* Nunca prolongue uma conversa ao telefone quando você ouvir do outro lado da linha a pessoa dizer que foi ganhadora do que quer que seja;
* Procure evitar conversas com pessoas estranhas em filas de banco ou na rua;
* Não forneça dados pessoais por telefone ou para pessoas que se apresentem como representantes de instituições bancárias ou comerciais, mesmo aquelas que tenham credibilidade no mercado. Dirija-se à empresa ou banco mencionado pela pessoa e confira as informações;
* Nunca peça ajuda de estranhos para acessar caixa eletrônico; procure um funcionário do banco;
* Nunca forneça sua senha bancária a outra pessoa;
* Não assine cheque em branco;
* Os idosos devem sempre ser acompanhados por uma pessoa da família, de preferência maior de idade.