Em nenhum dos compêndios da medicina há registro que uma das seqüelas dos vários tipos de hepatite seja um surto de delírio no paciente. O governador José Reinaldo, ao que parece, ao ter sido acometido do vírus da hepatite “A”, parece ter contraído um tipo de vírus mutante, que provoca sucessivos delírios que o levam a agredir pessoas idôneas, que nada têm a ver com seus problemas administrativos e familiares.
Antes da doença, o governador tinha uma idéia fixa: a de que a ex-governadora Roseana Sarney era a única responsável pela sua desastrosa administração. Tanto bateu que a população passou a prestar mais atenção na sua então pálida administração, e, depois, a comparar com o governo dela. Resultado: as picuinhas inflaram de tal maneira a provável candidatura dela ao governo do Maranhão, que as pesquisas mostram que Roseana ganha fácil de qualquer um dos concorrentes da famigerada Frente de Apoio à Corrupção.
Agora, embora já se diga recuperado da tal hepatite - à boca miúda dizia-se que o governador sofria de depressão -, José Reinaldo parece não andar bem. Quando abre a boca para falar são tantas as bobagens que já se credita ao vírus mutante sua incontinência verbal. Senão, que outra forma se pode justificar as agressões que ele vem fazendo a representantes de vários seguimentos sociais e econômicos do Maranhão?
São três casos de rara eloqüência para demonstrar o espírito de ressentimento que move o governador. Na primeira, chamou de vadios os membros da expressão máxima da cultura maranhense: os brincantes de boi. Recebeu da sociedade e dos agentes culturais a mais enérgica repulsa.
Outro ataque grosseiro do governador atingiu a Companhia Vale do Rio Doce, a maior empresa de mineração do mundo e maior empregador privado do Brasil, além de ser um dos maiores pagadores de impostos no Maranhão e o grande incentivador da cultura. A guisa de exigir maior empenho da companhia na implantação de um pólo siderúrgico de grande porte em São Luís, o governador jogou para sua reduzida platéia e atacou o presidente da Vale. Com seu ato intempestivo e desaforado pode ter expulsado do Maranhão uma indústria que geraria 2.500 empregos diretos.
Agora, são os umbandistas as vítimas do destemperado governador. Tentando fazer gracejos, culpou Bita do Barão pelo seu ocaso administrativo, sua doença e pelos seus problemas familiares. Bita do Barão é o grande exemplo da liberdade de religião existente no país e, de maneira mais acentuada, no Maranhão. Para sua tenda convergem milhares de maranhenses em busca de cura e bênção.
Atribuir aos umbandistas a culpa pelos seus desatinos demonstra o nível de discriminação que orienta a conduta de um administrador que deveria se mostrar isento e respeitador das manifestações religiosas de todos os credos.
Talvez uma vacina resolva a transmutação do governador. O risco é que a resposta imunológica seja insuficiente dado o grau de contaminação a que está submetido por se juntar com espécimes tão raros quanto nocivos à sociedade quanto os que o estimulam em sua trajetória de traição e desrespeito.