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Guarda municipal não atua e praças ficam sem monumentos

Fonte: Edição 26
Data de Publicação: 23 de agosto de 2005
 
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Criada para guardar as instalações e o patrimônio público municipal, impedindo a ação de vândalos e a depredação de monumentos, a Guarda Municipal de São Luís acabou sendo desviada de suas funções e hoje está praticamente toda destacada para o trânsito. Os guardas deixaram a vigilância das praças da cidade para fiscalizar motoristas e aplicar multas. A conseqüência do desvio de função da Guarda Municipal é notada por moradores da cidade e por turistas. São Luís, que é Patrimônio Cultural da Humanidade agora não tem mais bustos de seus personagens ilustres e notáveis nas praças. Como não teve condição de guardar obras de arte e peças históricas, a prefeitura teve que recolher.

A operação de retirada dos bustos foi feita a pedido da Academia Maranhense de Letras. Os imortais, liderados pelo presidente Jomar Moraes, estavam revoltados com o estado de conservação das peças e com o desrespeito com que vinham sendo tratadas. Os bustos vinham servindo de cabide para alguns artesãos que trabalhavam na área. As cenas eram constrangedoras e provocou a reação da AML.

Roubos de peças

Além do vandalismo os bustos também vinham sendo roubados e vendidos a receptadores e oficinas que compram a preços vis o cobre com que são confeccionadas as peças e transformam em peças vendidas em São Luís. Teria sido esse o destino do busto do jornalista Odorico Mendes, roubado em 2004. Nem mesmo a cerca de proteção impediu o roubo.

“Eles levaram o busto de madrugada. Na Praça Gonçalves Dias não fazem isso porque o pedestal da estátua é alto”, afirma a aposentada Vitória Cunha, moradora da Rua das Hortas há 82 anos e assídua freqüentadora da Praça Odorico Mendes.

Três bustos da Praça do Pantheon também foram roubados. A ausência das peças ainda nem foi sentida pela maioria das pessoas que transitam pela praça. “Eu nem tinha notado. Acho que a Deodoro ficou esquisita”, opina a dona-de-casa Ana Maria da Silva Pereira.

O presidente Jomar Moraes classifica o que vinha acontecendo com os bustos dos poetas e escritores maranhenses como “esculhambação, com perdão da palavra. Eu me sinto aliviado com a retirada. A falta de respeito para com esses bustos era uma espécie de tapa moral na gente”, disse Jomar Moraes. Segundo eles, as peças só voltam aos locais de origem quando a Prefeitura fizer um projeto de reurbanização para a Pantheon. “Eles têm que dar o mínimo de dignidade à aquela praça, aquilo virou uma esculhambação, tem vendedor ambulante vendendo comida em frente à biblioteca pública”, revolta-se.

Jomar Moraes diz ainda que se for preciso se engaja em uma luta para arrecadar dinheiro para a restauração dos bustos. Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura de São Luís, as peças estão recolhidas no Centro de Artes Japiaçu para avaliação e restauração. O presidente da AML tem esperança, mas a verdade é que a volta dos bustos pode demorar muito ou nem acontecer. Além disso, retornando os bustos aos seus locais, sem a vigilância que deveria ser feita pela Guarda Municipal, é possível que continuem a desaparecer ou que voltem a ser alvo de vândalos.

Turismo perde

Apesar de a Prefeitura de São Luís debitar à AML a retirada dos bustos das praças da cidade há quem não concorde com a solução encontrada. “A Deodoro sempre foi um ponto turístico na cidade, justamente pela presença dos bustos dos intelectuais que fizeram nossa história. A prefeitura precisa fazer alguma coisa urgentemente para mudar essa situação, colocar vigias, buscar alternativas”, avalia o gerente de receptivo da agência Caravelas, Eduardo Baluz.

A mesma opinião é compartilhada pelo turista Jonatas Portugal, turista de Belo Horizonte. “O turismo perde com atitudes assim. Acho que isso que aconteceu por descuido da prefeitura e o prefeito precisa fazer algo urgente para colocar essas peças de volta nas praças” , opinou.

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