A falta de atuação da Prefeitura de São Luís não é privilégio apenas dos bairros carentes. Altos do Calhau e Recanto dos Nobres são bairros de classe média que provam como o descaso da prefeitura atinge todos os níveis sociais.
As casas grandes e de arquitetura moderna contrastam com ruas cheias de buracos, deficiência de transporte coletivo, falta de iluminação pública, insegurança e muito mato por todos os lados. "Aqui é difícil se achar uma rua sem buraco", assegurou John Kennedy Bezerra Vieira.
O bairro do Recanto dos Nobres é mais novo, tem apenas seis anos, está separado do Altos do Calhau pela rua Duque de Caxias. Ambos sofrem pela falta de segurança que é grande no local. As casas são protegidas por cercas elétricas e muros altos; as casas comerciais só se sentem seguras pelos grandes portões de ferro, mas nem isso impede que os assaltantes as invadam.
Os moradores do Recanto dizem que antigamente não era assim e que tudo começou depois que surgiram umas ocupações de áreas próximas. Agora todos se previnem: "Depois que fomos assaltados colocamos esse portão", disse John Kennedy. No comércio do pai dele, os assaltantes foram armados com revólver e facão.
Normalmente são pequenos furtos. "Ontem à noite mesmo entraram e levaram uma mangueira e uma toalha", contou Rosilene Mendes Leitão. Ela contou que em outra casa próxima à sua, ladrões entraram durante o dia, renderam a empregada e levaram o que puderam.
Elisa Coelho, mora à Rua Duque de Vizeu e conta que o mato dos terrenos privados e públicos servem de esconderijo para bandidos: "Aqui se escondem bandidos, ratos, cobra...", mostra, apontando para um terreno coberto por denso matagal. No local onde deveria ser uma praça, ela disse que já teve acidente de carros porque o mato dificulta a visão dos motoristas.
Todos ajudam
Os moradores é que se reúnem para comprar cimento e tapam alguns buracos, pagam alguém para capinar os terrenos baldios e recolher o lixo que os caminhões de limpeza não recolhem. Na rua que dá acesso aos bairros, vários entulhos se acumulam junto do mato.
Essa mesma entrada é questionada pela falta de iluminação. Os moradores que dependem de transporte coletivo via integração tem que andar quase 2km até a Avenida Jerônimo de Albuquerque ou a outro bairro. Elisa reclama que pega ônibus no ponto próximo ao cemitério do Vinhais.
Uma empresa apenas faz linha para o Altos do Calhau e não tem abrigo em nenhum dos pontos de parada. Como não tem colégio no bairro, as crianças têm que se deslocar para outros bairros. Euzébio Silva Cunha diz que o bairro precisa de muitas coisas, desde colégio até postos de saúde, mas o que mais ele se ressente é da falta de segurança. "Várias casas, a começar pela do meu visinho, foram invadida", contou.