Açoita Cavalo, Barbatimão, Carqueja, Aroeira, Ginseng, Marapuama... Esses são alguns dos nomes das ervas comercializadas em uma barraca verde localizada na Praça Deodoro, onde se pode ler Gilson das Ervas.
Na barraca vamos encontrar Gilson de Holanda Lopes, 54, terapeuta holístico. Aluno da farmacêutica e professora Terezinha Rego, Gilson conta que a barraca, instalada há sete anos no lugar, nasceu a partir do projeto Herbamóvel, no qual o rapaz se deslocava em uma kombi com ervas para ser comercializadas em algumas feiras livres da capital.
O projeto, iniciado em 1997, tinha por objetivo despertar a população para o uso da fitoterapia no tratamento de algumas doenças. O Herbamóvel, que era monitorado por Terezinha Rego (como as ervas vendidas na barraca, faz questão de frisar Gilson), começou a crescer, trazendo a necessidade de um ponto de comercialização de fácil acesso para a população. Foi aí que Gilson teve a idéia da barraca.
Das 380 variedades de ervas comercializadas no ponto, 60% vem de plantações próprias - Gilson possui quatro propriedades ("áreas impróprias até para criar bode"), onde as plantas são cultivadas. Os outros 40% vêm de intercâmbio com cerca de 60 colegas do ramo. São pessoas que o terapeuta holístico diz primarem pela qualidade do produto, obedecendo horário do sol, lua, colheita e observando fenômenos como movimentos da lua e outros estudados pela medicina chinesa.
Devastador
O interesse de Gilson pelas plantas medicinais começou em 1982, quando o pai teve um problema de câncer de próstata. Após 3 cirurgias e o veredito dos médicos de que viveria mais 90 dias, o pai resolveu procurar ajuda com a professora Terezinha Rego, com quem fez um tratamento à base de ervas medicinais. Contrariando os prognósticos, o pai de Gilson viveu mais oito anos. Morreu em função de um aneurisma.
Antes de morrer, o pai proporcionou a Gilson uma viagem a São Paulo, onde o rapaz fez curso de extensão na Universidade de São Paulo - USP, além de outros, todos voltados para a fitoterapia chinesa.
Na época, Gilson trabalhava como gerente de suprimentos e exportação de uma empresa na capital maranhense. "Eu era um devastador. Nada a ver". Hoje Gilson luta contra isso. Um exemplo dessa luta é o trabalho que faz junto a fazendeiros que o procuram para fazer inventário de plantas em suas propriedades. "Não cobro nada em dinheiro. Só pedimos o lugar para ficar e alimentação"
Gilson ensina o funcionário a fazer a coleta da planta. Em contrapartida, traz a viatura com as partes das plantas podadas para treinamento. O ganho é a diversificação de plantas da qual ele dispõe.
Entre as ervas mais procuradas na barraca estão aquelas usadas no tratamento de problemas digestivos e em "problemas de baixoventre" como inflamações. Segundo Gilson, as ervas utilizadas são "aquelas que nossos tataravós já usavam".
Entre os fregueses habituais da barraca, seu José (o sobrenome ele não disse), compra ervas no local há pelo menos 5 anos. São remédios para problemas digestivos. Já Vicente Gonçalves Neto, 51, farmacêutico, diz que compra há 4 ou 5 meses remédio para artrose e artrite. Já percebe os resultados, garante. Quem também já sentiu melhoras foi o ambulante Nilton César Rocha, que costuma usar ervas medicinais e no momento da reportagem comprava remédio para inflamação.