No próximo dia 23 de outubro, os brasileiros vão às urnas para votar em um referendo sobre a comercialização das armas de fogo no país. Será tudo como em uma eleição normal, a mesma urna até campanha na TV. O voto é que vai ser diferente. O eleitor deverá responder sim ou não à pergunta: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?". No dia 9 de agosto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sorteou os números que vão corresponder às respostas "sim" e "não" no referendo. A opção "não" corresponderá à tecla número 1 na urna eletrônica, e a "sim", ao número 2.
Ontem, na Assembléia Legislativa, o desarmamento foi debatido, em uma iniciativa do deputado Joaquim Haickel (PSB). Segundo o deputado, seu pronunciamento foi motivado por vários e-mail que recebe sobre o assunto. Para Joaquim a AL precisa se manifestar sobre o tema, já que envolve um aspecto fundamental para o cidadão, que é a segurança. Embora tenha terminado seu discurso afirmando que ainda não havia tomado posição quanto ao desarmamento, Joaquim Haickel fez um discurso frontal à campanha. Na opinião do parlamentar do PSB, "a sociedade vive no mundo das idéias, esquecendo que devemos viver a realidade e não a utopia". Para ele, o "Brasil tem a mania de andar na contramão da História". A proposta do desarmamento seria uma dessas contramãos.
Em determinado momento Haickel afirmou que aqueles que tomam as decisões por nós "estão confortavelmente protegidos pelo aparato da segurança do Estado, circulando em carros blindados, tudo pago pelo nosso dinheiro". O deputado reforça a sua contrariedade à idéia do desarmamento ao dizer que "criminosos adoram o desarmamento das vítimas, faz a atividade deles muito mais segura", apesar disso o governo não lança campanhas do tipo "vamos desarmar os bandidos". Joaquim Haickel acredita que as leis que proíbem o cidadão de ter armas desarmam, na sua ampla maioria, aqueles que não estão inclinados a cometer crimes. "São leis que tornam as coisas piores para as vítimas e melhores para os marginais", crê o pessebista, que ainda reforçou a sua tese contrária citando países onde houve desarmamento e, na opinião dele, nada mudou, quando não piorou.
Demonstraram pensar de modo contrário os deputados Luiz Pedro (PDT) e Helena Heluy (PT). Luiz Pedro aproveitou para dar uma estocada no governo que, segundo ele, já conseguiu sucatear a saúde e a educação e da mesma forma está fazendo com a segurança. Para Helena o desarmamento ajudará a reduzir os índices de homicídios no Brasil, país onde mais se mata com armas de fogo, principalmente jovens. Concordou com Joaquim Haickel o deputado Manoel Ribeiro (PTB). Para este "com armas, somos cidadãos. Sem armas, somos súditos. Quem desarma a vítima fortalece o agressor. Você chama a polícia e ela demora até 30 minutos para chegar, o bandido entra em sua residência em 1 minuto".