O Parque Pindorama é mais um bairro de classe média cheio de problemas estruturais e, principalmente, sem segurança. Na sua entrada pela Avenida dos Africanos, o odor incomoda motoristas e pedestres. As ruas, sujas e sem asfalto, demonstram o descaso em que se encontra o bairro.
Celso Rodrigues da Silva é dono de um trailer próximo ao prédio que serviu de comitê de campanha da reeleição do prefeito Tadeu Palácio e lembra com nostalgia que no período da campanha o lugar era limpo. “Tinha agentes de limpeza por toda parte, mas depois disso abandonaram o local. Hoje, os carros passam rápido, mas não levam nada”, disse.
O acúmulo de lixo serve apenas para que pessoas como Maria de Lourdes Ferreira dele tire seu sustento. Ela mora em um bairro próximo e quase todo dia sai para recolher garrafas, latas, papelão e outros objetos usados que ela possa vender e ganhar um trocado. “De acordo com o material, eu tiro de três a quatro reais”, calcula.
Os mesmos terrenos baldios que acumulam lixo servem de abrigo para pessoas mal-intencionadas em busca de suas vítimas. O bairro é cheio desses terrenos que os donos não se preocupam em mandar cercar e nem cortam o mato. Não raro as casas são invadidas. Maria Cícera Moreira Nascimento é dona-de-casa, nunca foi assaltada, mas disse que conhece várias pessoas que foram ou que tiveram suas casas assaltadas: “Aqui não tem segurança, só Deus mesmo nos livra dos bandidos”, lamentou. Celso Rodrigues concorda com a vizinha e disse que, como a polícia não faz ronda com freqüência, não se sabe se quando uma viatura passa é ronda policial ou apenas um atalho para outro lugar.
Além da sujeira e da insegurança, outro aspecto visível dos vários problemas do bairro para quem visita e alvo das reclamações constantes de quem mora no Pindorama são as ruas esburacadas ou, na maioria dos trechos, sem asfalto. São poucas as que têm cobertura de asfalto. A maioria ainda é feita de piçarra, algo contraditório para o volume de tráfego no local. Na Rua Tutóia, por exemplo, onde se localiza o único colégio do bairro, um buraco enorme incomoda quem tem carro e põe em risco a vida de todos, visto que a cada dia ele aumenta mais.
O vigilante da escola, Francisco Gomes da Silva informou que a diretora tirou fotos e solicitou da prefeitura que tapassem o buraco. O pedido foi atendido, “eles entulharam, mas quando veio a chuva, levou tudo e o buraco foi reaberto”, contou o vigilante. Naquela área nunca começaram nenhuma obra de pavimentação, informou Francisco, enquanto isso, lixo e esgoto se tornam parte da paisagem local.
Outro problema sério reclamado pelos moradores é a falta de transporte coletivo regular no parque. Apenas uma empresa faz linha para o bairro. Quem precisa ir à escola em outras áreas de São Luís, ou, por exemplo, buscar um hospital, posto médico ou se deslocar ao centro ou a outros bairros tem que esperar 30 minutos ou mais para pegar um ônibus. Johnson Moreira Nascimento estuda no Gonçalves Dias na Avenida Kennedy e vai a pé para a escola porque o ônibus demora muito, “se eu esperar o ônibus eu perco a hora de entrar na escola. Ando uma hora todos os dias até o colégio”, diz.