Apesar de a Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão (Caema) afirmar que o rodízio de abastecimento nos bairros é regular, moradores de várias partes de São Luís reclamam de falta d.água. Entre os bairros mais afetados estão Cor éia de Cima, Vila Passos e Lira, onde, segundo moradores ouvidos por Veja Agora a situação chega a ficar crítica em alguns momentos.
Na Coréia da Cima o problema de abastecimento tem sido alvo de reclama ções há muito tempo. Para ter água em casa os moradores têm que acordar de madrugada para encher baldes e outros depó- sitos em torneiras instaladas nas ruas ou comprar. Fabiana Barreto, por exemplo, tem hipertireoderismo e disse que precisa tomar banho de hora em hora, por isso paga R$ 5,00 por um tonel de água.
Em todo o bairro da Coréia o fornecimento só acontece à noite, a partir das 22h e vai embora às 6h. Segundo a moradora Dulcinete Corrêa, a Caema não permite que as casas tenham bomba e ameaça multar quem for encontrado usando, "se vierem me multar a briga vai ser feia!", amea çou.
Maria das Graças Viégas tem 55 anos e carrega água todos os dias, ela disse que este ano o problema está pior. Até o ano passado os meses críticos eram outubro, novembro e dezembro e este ano começou desde maio, "a desculpa era a falta de chuva nesse perí- odo", contou Maria.
Na Coréia de Baixo as coisas não são tão diferente, José de Ribamar Souza, morador há 40 anos, disse que durante o dia nunca teve água. Mesmo morando na parte mais baixa do bairro, ele só tem água até, no máximo, 7h .e bem fininha ., diz.
Para Miguel Silva, que só vai dormir depois que enche todos os tonéis de água, a explicação que recebeu da Caema é que estavam ajeitando a tubula- ção, mas falta descobrir a origem do problema para normalizar o fornecimento.
Não muito longe dali, na parte alta da Vila Passos, a água só têm força à noite, durante o dia não dá. Os moradores têm que se prevenir com caixas d’água e baldes para passar o dia, "comprei uma caixa d’água porque passa mais tempo sem água do que dando" conta Maria do Livramento Cutrim. Na época que ela se mudou, há 40 anos, não existia nem fornecimento no bairro.
A conta chega
No Lira é comum encontrar pessoas carregando baldes d’água em carrinhos independente da localização da casa. Na rua Porto Alegre, também conhecida como São Benedito, os moradores denunciam que já fizeram abaixo- assinado, recorreram à imprensa outras vezes e o problema não foi resolvido. Na parte mais alta da rua, segundo o morador Rubeniel Fróz, existem casas que há mais de um ano não tem água e mesmo assim chegam contas para o pessoal pagar. "Dez a quinze reais por mês sem consumo algum", disse Rubeniel.
No bairro, a água chega 3h da manhã e vai embora 6h e quem não encher todas as reservas nesse hor ário, durante o dia pede água nas casas dos vizinhos ou vai buscar no "poço da caeira", informou Lucinaldo Novaes Rocha. A única explicação que receberam da Caema é que uma encanação precisa ser mudada, e há mais de ano ningu ém da empresa retornou ao local.
Segundo a assessoria de imprensa da Caema, no caso da Coréia de Cima eles já estão cientes do problema e já estão trabalhando para tirar um vazamento, mas a tubulação é muito antiga e por isso o trabalho demora um pouco. Quanto aos bairros do Lira e da Vila Passos será feito um levantamento do problema para que o sistema de abastecimento do local se normalize.