Quem se dispõe a tornar-se figura pública, seja na política ou no show business, sabe que sua vida deixará de ser uma história privada e passará a ser assunto de todos. Que o digam Ronaldo e Cicareli, Pita e Nicéia, Severino Cavalcanti etc. No caso de governantes não é apenas o interesse pela fofoca, pelos detalhes que alimentam as fantasias humanas e, às vezes, servem para igualar os que estão e se acham no poder, com os que, daqui de baixo, lhes prestam atenção. Trata-se, na verdade, de um direito.
Quando os problemas pessoais interferem no funcionamento da máquina, seja na iniciativa privada ou na administração pública, extrapolam o particular e dão ao chefe o direito de, pelo menos, saber o que há e se há solução, afinal, as má- quinas não podem parar.
No Maranhão, os amigos do governador dizem que tem de ser diferente. Mas, se ele briga com a mulher em alcova, mas é a secretária de Estado quem se recolhe a uma mansão em Brasília ou em umresort em Cancun, não é da conta de todo mundo? Protestam os áulicos e amilhados quando se questiona uma convalescença prolongada do governador por conta de uma pouco explicada hepatite.
Mas e se por causa disso o Estado aprofunda seu estado de letargia e, em vez do Chefe da Casa Civil ou do vice-governador ou do presidente da Assembléia Legislativa assume o poder de fato ou a mulher dele, posuda e arrostando poder, não passa a ser a doença - e a assunção despropositada da primeira-dama ao cargo - um assunto pertinente às rodas de conversa nas esquinas e assunto dos jornais?
Pois sim. Eis que outro conflito do casal governamental chega às ruas. Em forma de zum-zum, com várias versões, mas, como sempre acontece, logo será confirmado: Alexandra Miguel Cruz brigou com Mila Tavares, que vem a ser uma das filhas do governador, nascida no primeiro casamento de José Reinaldo. Briga feia, dizem (e nós ficaremos com essa versão até que Lourival Bogéa, no seu Jornal Pequeno, e Marcos Nogueira, em O Imparcial, tragam a versão oficial). Num rompante de Salomé, a filha de Herodíades, Alexandra pediu a cabeça da filha do governador. Não teria cedido totalmente, desta vez, José Reinaldo. Deve transferir a filha para Brasília.
Pergunta-se: não há prejuízo para o erário ou para o funcionamento da máquina? Crê-se que Mila Tavares exercia função importante para o estado, trabalhando em São Luís. Como o fará de Brasília? Aliás, o que poderá fazer pelo cidadão-contribuinte em Brasília? Este caso dá razão aos que acham que nem tudo pode ser segredo na vida do casal governamental, a não ser, claro, aqueles absolutamente pessoais. Não interessam as razões da briga se elas são particulares - "ela me chamou de feia". Mas interessa saber se são mesmo essas as razões e, mais que isso, se as conseqüências não prejudicam o funcionamento da máquina, que José Reinaldo quer colocar à disposição da frente de apoio à corrupção, conforme prometeu na convenção do PSDB.