Ônibus pagos pela Secretaria Estadual de Infra- Estrutura (na época Geinfra) para transportar eleitores transferidos de São Luís para o município, contrata- ção de correligionários para trabalhar no hospital Presidente Vargas, do Governo do Estado, e o uso da má- quina do governo às vésperas da eleição. Segundo o candidato a prefeito derrotado de São João Batista, Rico Pinheiro, essas foram algumas das ilegalidades constatadas na campanha do candidato vencedor, Eduardo Dominici. Agora, ele aguarda que a Justiça Eleitoral analise as ações movidas pela sua coligação e puna os infratores com a perda do mandato "conquistado graças ao abuso do poder econômico e do uso da máquina administrativa do Governo do Estado".
Rico Pinheiro compareceu à redação de Veja Agora acompanhado do presidente do PMDB de São João Batista, Luiz Everton, com vasta documenta ção que, segundo ele, comprova que a eleição foi comprada. Segundo os dois políticos os indícios são de que os recursos desviados na fraude das estradas fantasmas podem ter financiado a campanha de Eduardo Dominici, filho do ex-secretário da Infra-Estrutura, João Dominici, e sobrinho do governador José Reinaldo.
Segundo Rico, Eduardo era um completo desconhecido na cidade. "Apesar do pai dele ter nascido em São João Batista, ele nunca tinha aparecido lá", afirma. "O candidato do PFL até o meio do ano era Amarildo Costa que, inclusive, estava à frente das pesquisas e era considerado o virtual prefeito", relata Rico Pinheiro. Para ele, "uma coisa estranha aconteceu: o candidato do PFL simplesmente desistiu e abriu mão para o filho de Dominici, foi quando começou o derrame de dinheiro na campanha e os tratores do Governo do Estado invadiram a cidade".
Entre os documentos em poder de Rico Pinheiro e que fazem parte do processo a ser julgado pela juíza Laísa Paz, estão folhas de pagamento de pessoal do Hospital Presidente Vargas, com dezenas de eleitores de São João Batista, empregados, segundo ele, no ano da eleição; bilhetes de próprio punho assinados por João Dominici pedindo à diretora do hospital, Valmari Figueiredo, sua conterrânea e correligionária, que arrume emprego para pessoas indicadas por ele; boletins policiais de apreensão de ônibus que transportavam eleitores para transferência e qualificação eleitoral e cópias dos depoimentos de motoristas dizendo que faziam o transporte dos passageiros a pedido e pagos pela então Gerência de Infra-Estrutura, comandada por Dominici.
Caviar
Rico Pinheiro e Luiz Everton dizem que as transferências irregulares foram feitas à vista do Ministério Público, que não tomou nenhuma provid ência. "A nossa coligação chegou a pedir o indeferimento dos títulos, mas a juíza negou", diz Everton. Segundo eles, foram transferidos pelo menos dois mil eleitores para votar em Eduardo Dominici, "que não tinha qualquer chance de vencer, se não fosse pelo uso da máquina e do poder econômico. Ele era chamado de candidato caviar, aquele que ninguém nunca tinha visto ou ouvido falar", lembra Rico Pinheiro que teve 6.030 votos contra 7.069 dados a Eduardo Dominici.
Segundo os líderes peemedebistas de São João Batista, no dia da eleição pelo menos 60 ônibus, micro-ônibus e vans saíram de São Luís com eleitores para o municí- pio. Muitos foram apreendidos e os motoristas presos em flagrante. Em seus depoimentos confessaram ter sido pagos por João Dominici ou pela Geinfra. "Um dado importante que atesta a ligação do candidato com essa infração é que foi o advogado da coliga- ção dele quem foi à delegacia soltar os motoristas detidos", afirma o presidente do PMDB.
Ambos dizem que embora não haja, até o momento, como confirmar isso, há indícios de que a campanha tenha sido financiada pelo dinheiro das estradas. "Foi muito dinheiro, ninguém tinha tanto para gastar e eleger um desconhecido", dizem. Em recente entrevista ao jornalista Walter Rodrigues, em O Colun ão, o governador José Reinaldo disse que o cunhado era inocente no esquema das estradas fantasmas, mas afirmou que "o erro dele foi candidatar o filho (Eduardo) à prefeitura de São João Batista. Eu era contra, mas a família brigou comigo, insistiu, e não pude impedir".