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Cada vez mais mulheres compram em sex shop sem SL

Fonte: Edição 32
Data de Publicação: 30 de agosto de 2005
 
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Sexshop. Você já deve ter ouvido falar nisso. São lojas especializadas em peças e acessórios destinados a "esquentar" a relação sexual. Ou, simplesmente, algumas roupas que podem tornam o parceiro ou a parceira mais atraente. Difunde-se rapidamente por todo mundo. Em São Luís a primeira sexshop chegou há 11 anos. Mas, ainda hoje é um negócio com público restrito, meio tabu, especialmente se comparado a outras capitais brasileiras, digamos, mais liberais.

"Apesar de existir quase um milhão de pessoas em São Luís, muitas se resguardam demais", afirma o psiquiatra Fernando Freire. Na sua visão, o perfil dos maranhenses não é o de pessoas abertas para esse tipo de mercado ou fantasia, mas ele opina que dos freqüentadores de sexshops as mulheres são estatisticamente as maiores consumidoras.

A tese do psiquiatra é confirmada nas lojas. Casadas ou solteiras, heterossexuais ou homossexuais as mulheres são realmente as que mais procuram os estabelecimentos para "incrementar o relacionamento", segundo revela Larissa Tocantins, sócia de uma dessas lojas. Para Larissa, os tabus a cada dia estão diminuindo porque muitas mulheres depois de visitarem as lojas sozinhas passam a levar os seus companheiros para comprar alguma coisa e daí se tornam clientes assíduos.

Foi apostando nessa perspectiva de crescimento do mercado, por conta da libera ção de homens e mulheres, que Alexandre Santos inaugurou há quase um mês um sexshop num shopping center da cidade. Dono de algumas lojas em outros ramos, segundo Alexandre é preciso ver esse negócio como um ramo qualquer do comércio. Como a capital não tem tradição nessa área, o objetivo de Alexandre é que mais pessoas entendam que esse tipo de loja não se dirige apenas aos homossexuais ou prostitutas.

Apesar do pouco tempo, ele garante que já tem uma clientela muito boa. Diz que são mulheres entre 20 e 30 anos e, em menor quantidade, homens de todas as idades, inclusive os de 50 anos em diante. A localização em um shopping favorece muito aos "curiosos" que entram apenas para conhecer o estabelecimento e depois acabam comprando algo.

Tudo tem seu preço

"Fantasias são para quem pode", disse a vendedora Maria do Carmo Melo comparando os valores de produtos à condição financeira dos compradores. A loja onde trabalha fica no São Francisco e foi pioneira na capital. No começo vendia quase que exclusivamente para hotéis e motéis. Poucas pessoas compravam, a não ser homossexuais. Com o passar do tempo a clientela foi se diversificando e hoje a loja é freqüentada por casais e homens bem maduros, mas todos de classe média e alta.

Larissa Tocantins concorda com isso quando diz que seus clientes são das classes A e B. Ela constatou isso antes mesmo de começar o neg ócio. Para tanto sua irmã e sócia contratou uma empresa especializada para fazer pesquisar de campo e mapear o público. Em cada estabelecimento a procura tem idade bem variada. No sexshop onde Maria do Carmo trabalha, ela disse que aparecem até idosos procurando por Viagra. Nas lojas de Larissa e Alexandre, a maioria são adultos de 27 até 40 anos que vão comprar, trocar idéias ou pedir conselhos.

Exceto as crianças e adolescentes a venda é liberada para qualquer um.Oimportante é fazer "amor com criatividade", disse Alexandre Santos. A privacidade é a única exigência de quem vai a esses locais. Lojas com vidros fumê, em locais estratégicos, mas discretos, confirmam o quanto esse negócio ainda é visto com preconceito. O analista Fernando Freire crê que as pessoas têm medo de se expor e serem rotuladas de gays se vistas comprando produtos eróticos e que isso vai demorar a ser mudado. "Isso é um processo. Assim como é comum em outros estados, aqui pode vir a ser umdia", finalizou.

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