ExpedienteEdições AnterioresMapa do SiteFale Conosco
EDITORIALPOLÍTICACOLUNASSÃO LUÍSENTRETENIMENTOESPORTEGERALPOLÍCIA
São Luís -
Home » Edições Anteriores » Setembro/2005 » Edição 34 » São Luís

Farmácias tradicionais perdem espaço no comércio de São Luís


Fonte: Edição 34
Data de Publicação: 1 de setembro de 2005
 
Diminuir corpo de textoAumentar corpo de texto

ÍndiceTexto AnteriorPróximo Texto

De acordo com o Sindicato das Farmácias de São Luís, de agosto de 2002 até agora já fecharam 250 estabelecimentos. Esse número corresponde às farmácias tradicionais, administradas por famílias e com um número reduzido de funcionários. O motivo das falências tem um nome: concorrência com as grandes redes de drogarias, as chamadas "drugstores".

Segundo Benones Vieira de Araújo, diretor do sindicato, atualmente a capital conta com 260 farmácias. Destas, 28 lojas pertencem à Rede Extrafarma; 11 à Pague Menos; e sete à Big Ben. "As demais 214 estão inseridas em redes que praticamente não existem ou são drogarias tradicionais. Juntas não chegam a vender nem 50% dos que as grandes redes comercializam", afirma.

Descontos e cartões de fidelidade são algumas das "armas" utilizadas pelas grandes redes para garantir o sucesso nas vendas. "Enquanto uma farmácia tradicional compra seis caixas de Redoxon, uma Pague Menos, por exemplo, adquire 6 mil caixas. É dessa forma que ela pode oferecer até 30% de desconto ao cliente", explica Benones Vieira.

O fato das grandes redes poderem comercializar rem édios, correlatos e produtos como CDs, livros e até eletrodomésticos também influencia na escolha do cliente. "Isso tudo significa avanço para a clientela. É preciso haver mudanças na legisla- ção, que data de 1970 e que libera apenas, no caso de farm ácias, só a venda de medicamentos e correlatos", diz.

Grandes redes x tradicionais

Há 10 anos na capital maranhense, a Pague Menos emprega diretamente 200 pessoas e atende clientes das classes A, B e C. O nú- mero de pessoas que compram nas filiais da drogaria diariamente e o faturamento mensal não foram declarados pelo coordenador regional da rede em São Luís, Marcos Antônio Cândido.

Apesar de comercializar medicamentos, correlatos, biscoitos e sorvetes, Marcos Antônio revela que o carrochefe de vendas na Pague Menos são os remédios. "Por enquanto, vamos continuar no sistema que adotamos desde a nossa fundação, em 1981", afirma. A matriz da Pague Menos fica em Fortaleza.

Já a Big Ben, que mantém sete lojas funcionando em São Luís , tem um sistema de comercialização mais ampliado e além de medicamento vende de livros, brinquedos e CDs, a roupas de cama, mesa e banho e sandálias de borracha. "Nunca tivemos problemas com a fiscaliza- ção por atuarmos dessa forma no mercado, até porque, pela legislação, somos considerados como drogaria e não como farmácia, cujas restrições de comercializa- ção de produtos são maiores", informa o coordenador Regional da rede, Alain Ribeiro.

A rede empresa 180 funcion ários e declara ter entre seus maiores consumidores, pessoas das classes B e C. A média de atendimento, por loja, é de 1500 clientes por mês. A exemplo do coordenador da Pague Menos, Alain Ribeiro também não quis revelar números sobre o faturamento das farmácias.

Sobrevivência difícil

Enquanto as grandes redes decidem se ampliam ou não o seu "mix" de produtos comercializados, os propriet ários das farmácias pequenas ou tradicionais tratam de buscar alternativas para continuarem sobrevivendo no mercado.

Prestes a completar 59 anos de existência, a Farmá- cia do Povo, localizada na rua Jacinto Maia, só conta com a fidelidade de antigos fregueses para continuar funcionando. "A concorrência é muito forte, o poder aquisitivo das grandes redes é bem maior que o nosso, sem falar que tem médico que quando prescreve a receita do medicamento já indica onde o paciente deve comprá-lo", conta o proprietário, José Ribeiro Furtado.

O proprietário da Farmav ê (Mercado Central), Esteban Almeida, conta que buscou na venda fracionada de medicamentos a solução para continuar sobrevivendo no mercado. A farmácia tem quatro anos de existência e quem toma conta é a família do dono.

"Eu acho que as grandes redes são responsáveis sim pelas dificuldades que as pequenas farmácias passam. Na minha farmácia, 80% das vendas são de remédios que comercializo de forma fracionada, como os comprimidos, os outros 20% correspondem às vendas feitas por meio de receita médica", relata. Para também ajudar na renda familiar, Esteban colocou ao lado da farmácia uma papelaria.

Anvisa

Há determinações da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária que não reconhecem a função das "drugstore". Ainda de acordo com Anvisa, tanto farmácias como drogaria só podem comercializar medicamentos e correlatos.

Segundo a Anvisa, produtos correlatos são aparelhos, materiais ou acessórios cujo uso ou aplicação esteja ligado à defesa e proteção da saúde individual ou coletiva, à higiene pessoal ou de ambientes, ou a fins diagnósticos e analíticos, cosméticos e perfumes e, ainda, os produtos dietéticos, ópticos, de acústica médica, odontológicos e veterinários.

Veja Agora procurou ouvir a Vigilância Sanitária do Município, responsável pela fiscalização das farmácias da capital, sobre a legalização do modelo "drugstore" em São Luís, mas segundo a assessoria de comunicação da VSM, ninguém estava disponível para dar as informações.

BUSCA:

Página Anterior | Recomendar | Imprimir | Topo

Jornal do Povo do Maranhão - Jornal Veja Agora
Copyright 2005 - 2006 Jornal Veja Agora. Todos os direitos reservados
Rua Jorge Damous, nº 257, Caratatiua - São Luís - MA
Tel: (98) 3253-6696 Geral - 3253-6605 Comercial e Assinaturas
redacao@jornalvejaagora.com.br