ExpedienteEdições AnterioresMapa do SiteFale Conosco
EDITORIALPOLÍTICACOLUNASSÃO LUÍSENTRETENIMENTOESPORTEGERALPOLÍCIA
São Luís -
Home » Edições Anteriores » Setembro/2005 » Edição 34 » São Luís

A diversão eletrônica na mira da Justiça


Fonte: Edição 34
Data de Publicação: 1 de setembro de 2005
 
Diminuir corpo de textoAumentar corpo de texto

ÍndiceTexto AnteriorPróximo Texto

A Promotoria de Justiça da Infância e Juventude instaurou inquérito para apurar denúncias contra as lan houses (casas de jogos de computador) instaladas em São Luís. As denúncias partem de diretores de escolas, pais e professores de crianças e adolescentes - principal público das lan houses. Muitos pais manifestam sua preocupa ção porque nas "lan" quase nunca há separação entre ambiente adulto e infanto-juvenil, além da possibilidade de em algumas dessas casas estarem sendo servidas bebidas alco ólicas. Exagero ou não, tem gente preocupada até com a presença de drogas em algumas dessas lan houses.

Segundo a promotora de Justiça da Infância e Juventude do Ministério Pú- blico, Sandra Elouf, os propriet ários serão notificados e convidados para participar de audiência pública, em data a ser definida, que tratará do disciplinamento das lan houses. "Os proprietários serão chamados para se enquadrar à legislação. Vamos fiscalizar o ambientes e o cumprimento das normas. Se eles não se adequarem às normas, certamente serão punidos".

Uma das preocupações diz respeito à perman ência de crianças nos estabelecimentos. "Adolescentes só podem freqüentar esses espaços com autoriza ção dos pais e não podem estar fardados", explica a promotora. Ela diz ainda que casas de jogos não podem ficar perto de escolas. Para a promotora, propositalmente ou não, algumas dessas casas ficam próximas de estabelecimentos de ensino, tentando atrair os adolescentes. "Por que perto de escolas?", questiona.

Socorro

De acordo com a promotora, os pais que denunciam as lan houses estão pedindo socorro da Promotoria. Querem que seja proibida a presença de crian ças nesses lugares. Segundo a Sandra Elouf, um dos pais que ligaram afirmou que o filho estava abandonando a escola por causa do jogo, ameaçando sair de casa por ter sido proibido pelos pais de freq üentar o lugar (o garoto é um dos campeões de jogos eletrônicos).

Para a promotora, muitos jovens correm o risco de ficar viciados nos jogos. "É como bebida. O que vicia não é o consumo, é o excesso. Diante disso não podemos permitir que a situação continue. Não é uma caça às bruxas. Queremos disciplinar. Queremos garantir que o lucro não esteja acima do bem-estar psicol ógico dessas crianças e adolescentes, que o jogo não se sobreponha ao estudo, à vontade de estudar deles".

Além dos pais, os professores e diretoras de escolas também têm denunciado as lan houses, alguns deles de escolas de vários bairros como Cohatrac, Cohab, Vinhais, Vila Embratel e outros. Sandra Elouf não sabe quantas casas do gênero existem em São Luís, mas, segundo um dos denunciantes, no Cohatrac, só na rua de uma escola, seriam três. A promotora alerta que, de acordo com a lei, a distância mínima permitida entre estabelecimento de ensino e casas de jogos de modo geral é de 200 metros.

Gritos e reclamações

Para Elton Michael Silva Lima, proprietário de uma lan house no bairro do Renascen ça, a presença de crianças no lugar é mais comum durante o dia. Elton acredita que as reclama ções dos pais se devem mais à bagunça promovida pelos freqüentadores. "De vez em quando chegam pais que trazem crianças para jogar. Depois chega a galera e começa a gritar, dizer palavrões. Os pais não gostam".

Marlen Barros e Silva, agrônoma, pai de um garoto de 10 anos que de vez em quando vai ao lugar para jogar não gosta nem um pouco que o filho freq üente a lan house. Ele vai com o pai. Para Marlen, "o ambiente é ruim, escuro, só se vê as máquinas. As crian ças gritam muitos palavr ões e os jogos são violentos", resume.

Segundo o proprietário da casa, a freqüência diária é de 100 pessoas em média. No final de semana o número dobra - são cerca de 200 freqüentadores. Desses, 70% são do sexo masculino. A média de tempo que os freqüentadores gastam jogando é de 2 horas. Mas ainda tem o coruj ão, que vai das 10 da noite às 7 da manhã, do qual, segundo Elton, só maiores de 14 anos podem participar.

D. F. F, 16 anos, é um dos que participam. Encontramos o menor fardado, jogando em uma das má- quinas da casa. D. F. F alega que chegou à escola atrasado e não pôde entrar, então resolveu ir jogar. Ele freqüenta o lugar de três a quatro dias por semana, quando fica de 2 a 3 horas jogando. Diz que os pais deixam. Às vezes participa de corujão.

Ele não é o único adolescente fardado que encontramos na lan house. A menina T. P., 12 anos, tamb ém é freqüentadora assí- dua. Diz que vai mais à tarde. Na ocasião, estava comemorando o aniversário da irmã, de quem estava acompanhada. A desculpa é a mesma de D.F.F.: chegou atrasada à escola e resolveu ir jogar.

BUSCA:

Página Anterior | Recomendar | Imprimir | Topo

Jornal do Povo do Maranhão - Jornal Veja Agora
Copyright 2005 - 2006 Jornal Veja Agora. Todos os direitos reservados
Rua Jorge Damous, nº 257, Caratatiua - São Luís - MA
Tel: (98) 3253-6696 Geral - 3253-6605 Comercial e Assinaturas
redacao@jornalvejaagora.com.br