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Novo programa de José Reinaldo revolta prefeitos



Data de Publicação: 11 de setembro de 2005
 
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O governador José Reinaldo lançou com estardalhaço um programa que, segundo ele, vai ajudar a resolver a pobreza nos cem municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano – IDH do estado. Os órgãos de comunicação atrelados ao governo comemoram o lançamento dos programas Água em Minha Casa e Minha Unidade Sanitária como se fossem a redenção definitiva do Maranhão. Mas, uma análise cuidadosa dos programas mostra que a verdade é bem mais embaixo.

O programa Minha Unidade Sanitária, por exemplo, em que José Reinaldo anuncia a aplicação de aproximadamente R$ 31,5 milhões, é uma verdadeira falácia. O projeto remete à Idade Média e já foi há muito tempo abolido pelo Ministério da Saúde (Funasa) porque não melhora as condições de vida das pessoas e representa a manutenção de riscos à saúde humana. As unidades projetadas são consideradas primitivas por técnicos em sanitarismo ouvidos por Veja Agora e essa foi a razão da indignação de pelo menos três prefeitos ouvidos pela reportagem logo depois da cerimônia de lançamento dos programas pelo governador José Reinaldo.

Para “combater a pobreza e melhorar o IDH, José Reinaldo resolveu que pobre merece tratamento miserável”, disse um dos prefeitos que pediram para não ser identificados por razões óbvias. Ele disse que o Governo Federal, por meio da Funasa, está implantando em várias localidades kits sanitários completamente diferentes e que respeitam as pessoas, oferecendo dignidade para quem precisa. Enquanto as unidades do Governo Federal têm o assento do sanitário de louça, como é aconselhável pelos organismos internacionais de saúde, no do Governo do Estado o assento será de madeira.


Risco à saúde

Outra diferença fundamental entre as unidades sanitárias adotadas pelo Ministério da Saúde e pelo governo José Reinaldo é que, ao contrário do que foi divulgado pela assessoria de imprensa do governador, a fossa será seca, enquanto que nos kits da Funasa é séptica, como é recomendável. Isso faz com que as unidades sanitárias de José Reinaldo sejam impróprias para a maioria dos terrenos, pois têm um elevado poder de contaminação do lençol freático e não impedem a proliferação de doenças já que não passam de um buraco no chão com um tampa de madeira.

Não é exagero afirmar que o programa Minha Unidade Sanitária é eleitoreiro. O valor destinado aos sanitários é irrisório, mesmo considerando que os recursos são do Tesouro Estadual, especialmente considerando o que falta nos kits do Governo do Estado. Não tem caixa d’água, não tem lavatório, nem chuveiro, nem instalação elétrica, não tem sequer sumidouro, o que torna a unidade sanitária do governo José Reinaldo uma ameaça ao lençol freático e às nascentes localizadas nas áreas em que forem instaladas.

Um prefeito sugere que ao invés de “agraciar” a pobreza com um tratamento miserável, apenas com interesse eleitoreiro, José Reinaldo poderia efetivar uma parceria com o Governo Federal, utilizando os mesmos recursos que disponibilizou, e alavancar um programa que realmente atenda de forma adequada a população maranhense. “O governador nem pensou que vai ter cidadão ofendido ao ver que o vizinho tem sanitário decente construído pelo Governo Federal e o dele não passar de uma sentina antiga, ultrapassada e contrária aos princípios da saúde”, diz o prefeito ouvido por Veja Agora.

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