Pode ser tudo balela. Não há nada que possa confirmar o caráter oficial da viagem do governador José Reinaldo à França. O governador partiu com a família para Paris ontem, depois de quase uma semana em São Paulo. Para justificar a viagem internacional do casal governamental os jornais "oficiais" O Imparcial e Jornal Pequeno, com apoio da rede de rádio patrocinada pelo Governo do Estado, publicaram que José Reinaldo estará em Paris para receber um certificado pelo trabalho de combate à aftosa.
Produtores rurais e veterinários ouvidos por Veja Agora afirmaram que isso não passa de conversa. Os especialistas, que preferiram não se identificar, dizem que, embora o trabalho de combate à febre aftosa esteja evoluindo, o Maranhão ainda está no grupo de médio risco e que, para chegar ao certificado entregue pela Organização Internacional de Epizootias (OIE), com sede em Paris, ainda falta passar pelo estágio de baixo risco, até chegar à condição de zona livre da aftosa. O prazo para isso é de pelo menos mais dois anos, afirmam. Só então o Maranhão receberá o certificado que a mídia paga de José Reinaldo diz que ele foi receber em Paris.
O máximo que José Reinaldo pode estar fazendo na França em relação à febre aftosa é uma visita à OIE, porque até mesmo a solicitação da certificação, quando for a hora, deverá ser feita pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Quando isso ocorrer o governador poderá voltar a Paris para reforçar o pedido oficial do governo brasileiro.
Do MAPA para a OIE
A Organização Internacional de Epizootias (OIE), presidida por Bernard Vallat, foi criada em 1924. Com sede em Paris, França, a OIE é responsável pelo controle internacional da sanidade animal e vegetal. É a organização que emite o certificado internacional que comprova a inexistência de febre aftosa em zonas produtoras de gado. Os membros da OIE reúnem-se uma vez por ano, em maio, para analisar os pedidos de certificação apresentados pelos países. O pedido é feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a OIE pode solicitar novas verificações antes de conceder o certificado. Nessa etapa, governadores e secretários de agricultura costumam ir à França reforçar o pedido. Antes, é passeio.
Se o leitor tiver curiosidade, pode visitar os sites www.maranhao.gov.br e www.diariooficial.ma.gov.br ou ainda www.oie.int e vai ver que não há nenhuma informação - oficial ou não - sobre qualquer reunião, seminário ou premiação relacionada a febre aftosa, especialmente do Maranhão. No período em que José Reinaldo estará em Paris, por causa da febre aftosa, os eventos e reuniões da OIE acontecerão em Belfast (Irlanda), no Vietiane (Laos), em Suzdal (Rússia), em Montevidéu (Uruguai) e em Thun (Suiça).
O governador José Reinaldo viajou a Paris, segundo os jornais e rádios de sua rede de comunicação, para passar oito dias. Mas, nem o governador, nem a Secretaria de Comunicação, nem Lourival Bogéa e demais porta-vozes disseram exatamente o que ele fará lá e o que o Maranhão ganha com isso. Já as passagens, os passeios e a hospedagem da família correm por conta do contribuinte.