A situação de desconfiança foi resolvida com uma simples vitória. Pelo menos ao final da 25ª rodada do Campeonato Brasileiro, que acabou marcando a reação de equipes que vinham de tropeços e registrando recuperações que começam a se mostrar sólidas e definitivas.
Botafogo, Corinthians, Paysandu e Ponte Preta foram as equipes que mais se sentiram aliviadas com as vitórias, que encerram um jejum responsável por criar crises internas, forçar mudanças de comando e gerar pressão em quem conseguiu resistir até aqui.
Após demitir o técnico Péricles Chamusca, o Botafogo teve de esperar dois jogos para que o novo comandante da equipe, Celso Roth, conseguisse botar fim ao período de seis partidas sem vitórias.
O placar de 2 x 0 contra o Atlético-MG devolveu a perspectiva de ascensão na tabela do campeonato e ainda interrompeu a série de quatro triunfos acumulados de forma consecutiva pelo time mineiro, que ainda não se livrou da zona de rebaixamento.
O Paysandu, que ainda segue na lanterna da competição, conseguiu um alento ao vencer o São Caetano e voltou a saber o que é uma vitória após quatro rodadas. De quebra, chegou à primeira vitória fora de casa.
O poder cicatrizante de uma vitória, porém, tem preço inestimável para Ponte Preta e Corinthians.
Ex-líder do Brasileirão, a equipe de Campinas desabou após a ida do técnico Osvaldo Alvarez para o futebol japonês. Nem a contratação de Zetti foi suficiente. Após cinco derrotas consecutivas, o ex-goleiro deixou o cargo.
Depois de dar nova chance para o auxiliar-técnico Nenê Santana, a diretoria decidiu contratar Estevam Soares, que já havia passado pelo clube. E foi apenas no terceiro jogo sob novo comando que a Ponte Preta encerrou um jejum de nove jogos sem vitórias. No domingo, derrotou o Fortaleza por 2 x 1.
O maior alívio da rodada, entretanto, foi sentido pelo técnico Márcio Bittencourt, o alvo mais atingido pela queda de rendimento apresentada pelo Corinthians no início do segundo turno.
Após somar apenas seis dos últimos 18 pontos disputados, o Corinthians alcançou contra o Atlético-PR sua primeira vitória após cinco jogos - incluindo um pela Sul-Americana.
O resultado garantiu a permanência de Márcio Bittencourt, que já havia até chorado após a derrota para o São Paulo, ciente de que sua demissão pode ser uma questão de tempo. E deu um novo ânimo ao meia Carlos Alberto, que, após ser afastado até do banco de reservas por arrumar brigas, descumprir ordens disciplinares e ficar acima do peso, conseguiu marcar seu primeiro gol com bola rolando desde que chegou ao Parque São Jorge, em janeiro.
As reações após o final da 25ª rodada também foram o maior trunfo de Goiás e Palmeiras, que apesar de disputarem posições no bloco de elite do campeonato vinham de tropeços.
O Goiás, que liderou brevemente a competição, superou a surpreendente derrota por 3 x 0 sofrida para o Figueirense ao vencer o decadente Cruzeiro por 1 x 0, que o deixou na terceira colocação, ao lado de Inter e Santos, e apenas a um ponto do líder, o Fluminense, equipe mais regular do segundo turno, com um empate e três goleadas seguidas.
A interrupção dos triunfos consecutivos, aliás, é o que faz do resultado conquistado pelo Palmeiras domingo tão importante para as pretensões da equipe. Após série invicta de dez jogos, o time dirigido por Emerson Leão caiu ante o Brasiliense e perdeu a oportunidade de bater o Coritiba para iniciar imediatamente uma nova seqüência.
O empate em casa fez com que Leão mudasse radicalmente a equipe, sacando Baiano e Pedrinho e apostando em ex-renegados, como o lateral-direito André Cunha e o meia Diego Souza. A medida deu resultado, e com os 3 x 1 diante do Paraná levaram o Palmeiras à sexta posição.
E se o Palmeiras temia que uma fase irregular tomasse conta da equipe após o empate contra o Coritiba no Parque Antarctica, o Inter não escondia que novo fiasco no Beira-Rio poderia gerar a desconfiança da torcida de que a equipe não terá condições de lutar efetivamente pelo título.
Traumatizado por perder jogos para Goiás, Paraná e Santos em seu estádio, o Inter sacramentou domingo, ao fazer 3 x 0 no Figueirense, que vencer em casa passou a ser fundamental, já que esta é a terceira vitória consecutiva no Beira-Rio - antes, derrotou Coritiba e Cruzeiro.