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Para muitos usuários a paralisação dos rodoviários é justa



Data de Publicação: 14 de setembro de 2005
 
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A greve dos rodoviários marcada para hoje em São Luís tem o apoio de grande parte da população. Entre os que defendem a paralisação, os rodoviários estão certos de protestar contra a diminuição do número de ônibus por causa da formação dos consórcios de empresas e porque é justo que os trabalhadores lutem por melhores salários e condições de trabalho. Além de reajuste salarial os motoristas e cobradores querem a garantia dos empregos, a mudança da empresa que presta serviços de saúde à categoria e o fim dos consórcios, que, segundo o Sindicato dos Rodoviários, vem ocasionando inúmeras demissões e transtornos para os usuários.

Mesmo os que acham o movimento grevista justo, temem pelos transtornos que podem ocorrer com a paralisação marcada para amanhã, a partir de 0 hora. Deve ser uma quarta-feira de longas filas e espera demorada nas paradas de ônibus. Apesar disso, Zuleide Ribeiro, vendedora, acha que “apesar de prejudicar quem precisa pegar ônibus para trabalhar, os profissionais devem buscar a melhoria deles”. A estudante Denise Santos da Silva diz que é a favor de qualquer forma de manifestação, contanto que tenha um resultado positivo. “Se for preciso para mudar alguma coisa, eu sou a favor”, disse. Já Edna Maria Silva sabe que terá dificuldade para ir ao serviço, mas é a favor porque sabe que os motoristas lutam pelo trabalho deles e seus direitos.

Graciete Martins Gonçalves é aposentada, todos os dias leva os dois netos à escola no Centro e já está acostumada a esperar mais de meia-hora pelo ônibus. Ela acha que se não tiver a greve o transporte público não melhora. “Tem que pressionar. A gente sofre no começo, mas vale a pena depois”, opina Graciete. A costureira Maria Lúcia Costa, acha que os motoristas não serão os únicos beneficiados com uma mudança no transporte por isso apóia a greve, “sou a favor porque todos temos que nos unir para benefício público”, opinou.

Já o mecânico de refrigeração Henrique Silva Bezerra não acredita que uma greve seja suficiente para modificar a decisão dos donos da empresas e da Semtur em relação ao consórcio, mas acha válido porque “todos têm direito de reivindicar seus direitos se foram prejudicados, essa é apenas uma forma de expressarem a insatisfação”, disse.

Apoio de quem entende

Veteranos em greves, os professores respeitam a decisão do sindicato porque, segundo os líderes da categoria, no Brasil as coisas dificilmente se resolvem com simples negociações, além de ser direito de todo trabalhador, “se eles acham que é suficiente temos que respeitar. Sou professora e também fazemos greve”, confirmou Regina Pereira Maia.

Para não prejudicar os alunos os professores terão que utilizar outros meios de transporte mais caros como táxi e moto-taxi, “saímos prejudicados porque temos que pagar uma passagem extra”, disse o professor Ricardo Delmar.

Leny Cláudia de Lima, pensa nos alunos que podem ser prejudicados se faltarem à escola ou se um professor não for dar aula, mas entende que todos os trabalhadores têm direito a greve. “Eles têm o direito deles. Temos que ver a parte dos outros”, contou.

Contrários

Contrários a qualquer argumento, alguns usuários se revoltam porque dizem que a greve só prejudica quem precisa ir trabalhar, “os empresários têm carro. O sindicato tem que decidir de outra forma”, disse o operador de máquina de refrigeração José França. José Oswaldo Ribeiro é mais radical e acha que a negociação dos rodoviários com as empresas deve acontecer sem envolver a população, “não deveria existir greve. A população não tem nada a ver com isso, só pagamos passagem.

Pela lei 30% da frota têm que rodar porque transporte coletivo é serviço de utilidade pública. Mas para o técnico em planejamento, José Alfredo Costa Nunes, a diminuição já atrapalha demais a vida de quem depende de transporte praticamente o dia todo. “Já sofro porque vou a faculdade à noite e nesse horário a frota já é diminuída”, contou.

O motorista Antonio Carlos Martins, fica indignado com a notícia da paralisação. “Acha uma pouca vergonha. Motorista que se preze não vai atrás disso. O que devem é negociar. O que deve mudar é a presidência do sindicato”. Maria de Jesus Bernardes concorda com ele e acha um absurdo a greve porque a maioria dos trabalhadores utiliza ônibus para ir ao serviço. “Já está difícil arranjar um trabalho. Os empresários querem ganhar sem pagar o direito dos pais de família que vão para rua”, reclamou.

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