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O exemplo de Jura Filho: responsabilidade social



Data de Publicação: 15 de setembro de 2005
 
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Um dos argumentos usado pelo governador José Reinaldo para se unir a quem sempre o acusou de corrupto, tem sido o de resgatar a cidadania das faixas mais pobres do Maranhão. Nada mais falso. O governador e sua troupe jamais se preocuparam realmente com o povo. O governador vem fazendo intensa propaganda de construção de fossas sanitárias e kits para banheiros. E alardeia que isso é o começo da redenção do povo maranhense. Pobre povo cuja suposta redenção depende da construção das "sentinas" de José Reinaldo.

O programa, na verdade uma ação do Governo Federal, foi "roubado" pela equipe de marketing que cuida da triste imagem do governador, e proclamada aos quatro cantos como se sendo uma realização do próprio. Apenas mais uma propaganda enganosa.

Aliás, enganar o povo é uma constante nesse governo. José Reinaldo já tentou enganar outras vezes. Na mais famosa delas, o governador tentou enganar a opinião pública no projeto que mandou à Assembléia Legislativa propondo o aumento dos salários dos servidores do Estado de R$ 260,00 para míseros R$ 280,00. A alegação, na época defendida com fervor cínico pela mídia mensalista dos Leões, principalmente o Jornal Pequeno de Lourival Peta Bogéa, era a de que não havia recursos para pagar o que a lei determina, ou seja, o salário mínimo de R$ 300,00.

Talvez até fosse verdade, mas não pelas justificativas apresentadas. O dinheiro para pagar salários poderia até estar faltando, mas por motivos outros. Alguns deles: os US$ 30 milhões gastos com propaganda; os mais de R$ 20 milhões gastos com o pagamento das estradas fantasmas; os mais de R$ 140 milhões pagos no acordo espúrio feito com a Construtora Camargo Correa; os mais de R$ 20 milhões gastos com a compra de livros didáticos superfaturados; dos milhões gastos com festas e viagens de jatinho; dos milhões gastos mensalmente com o pagamento de salários a secretários de Estado que nada fazem, e tantas outras despesas que o governo do senhor José Reinaldo tem feito cujos principais instrumentos legais, são o de dispensa e de inexigibilidade de licitação. Com o que sobra, só daria mesmo para pagar o salário indecente de R$ 280,00 aos servidores.

Ontem, numa atitude corajosa e baseada em estudos de viabilidade econômica, o governador em exercício Jura Filho encaminhou à Assembléia Legislativa projeto de lei que fixa o piso salarial dos servidores do Estado em R$ 300,00. O governador interino, mais que demonstrar independência em relação ao titular, demonstrou sensibilidade, respeito às normas constitucionais e responsabilidade social. Três predicados que faltaram exatamente ao governador e à Assembléia Legislativa, quando fizeram aprovar, em maio, o projeto que mandava pagar ao servidor público menos que o que determina a Constituição Federal.

Jura Filho solicitou urgência aos deputados para que aprovem o projeto. Cobrou deles, autonomia, independência e espírito público. Nada mais oportuno. Afinal, a maioria dos deputados devota ao governador uma fidelidade quase canina, que denuncia que muito mais que simples apoio político, essa devoção implica na troca de favores e benesses que mais cedo ou mais tarde virão à tona, a exemplo do que acontece no Congresso Nacional.

Se, mais uma vez, a maioria da Assembléia Legislativa e, principalmente, seu presidente João Evangelista, recusarem aos servidores estaduais o salário de R$ 300,00, como determina a Constituição, estarão dando um atestado de servilismo que colocará o Poder Legislativo como capacho do governador. Aos maranhenses só restará, em breve, nas urnas, dar o troco àqueles que de maneira subserviente venderam os seus mandatos privando-os de se reelegerem nas eleições do próximo ano.

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