O empresário Sebastião Buani, envolvido no caso do suposto "mensalinho", apresentou ontem o cheque que comprovaria propina paga a Severino Cavalcanti, presidente da Câmara.Asacadora do cheque seria Gabriela Martins, uma das secretárias do gabinete de Severino, e não um motorista do presidente da Câmara, como vinha sendo cogitado. "Sempre disse que havia o pagamento do mensalinho feito em cheque, está aí a confirmação", disse Buani. O cheque, no valor de R$ 7.500, seria destinado ao pagamento de propina a Severino para prorrogar a concessão do restaurante da Câmara à rede Fiorella, de Buani. "O pagamento de R$ 7.500 era para completar o valor de R$ 10 mil que eu tinha de
pagar".
O empresário colocouse como vítima, e não participante do esquema. "Não foi propina. Eu fui extorquido", disse Buani. "Eu tenho argumentos, tenho a verdade. Se, com tudo isso, eu tiver de provar mais alguma coisa, eu vou achar que não dá para acreditar em mais nada no meu país", disse Buani, que passou a responder a perguntas dos jornalistas depois de mostrar o que seria a prova da propina.
Dinheiro foi para filho
Severino Cavalcanti disse a pessoas próximas que o cheque de R$ 7,5 mil dado pelo empresário Sebastião Buani foi usado para pagar despesas de seu filho Severino Cavalcanti Júnior, morto em um acidente de carro em 2002. Segundo o deputado João Caldas (PL-AL), amigo de Severino, apresentou a versão de que a secretária Gabriela Kenia S. S. Martins pegou o dinheiro emprestado e que Severino já teria pagado R$ 690 de juros.
Em depoimento à Polícia Federal, Gabriela confirmou a informação de que o dinheiro foi sacado a pedido de Júnior para sua campanha à deputado estadual em Pernambuco.
"Ele nunca deu dinheiro para campanha política. O dinheiro que ele deu foi porque foi exigido dele. Essa é a quinta versão que eles dão. Para cada prova, vão querer achar uma desculpa diferente. Então por que ela não disse em seu primeiro depoimento?", indagou o advogado de Buani, Sebastião Coelho.
À PF, Gabriela disse que não falou sobre isso antes porque não foi perguntado. A secretária havia falado à PF na última sexta-feira.