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Moradores da Fé em Deus reclamam de esgotos que transbordam e da violência no bairro



Data de Publicação: 15 de setembro de 2005
 
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Rua da Boa Esperança. Travessa da Boa Esperança. Esses são alguns dos nomes de ruas do bairro da Fé em Deus. Os nomes bonitos e que sugerem coisas boas, no entanto, contrastam com a realidade enfrentada pelos moradores do lugar.

Ao longo das ruas estreitas, nas quais a maioria das casas tem grades, pode-se ver aqui e acolá alguns grupinhos de moradores que parecem apenas observar o movimento. A atitude é motivo de desconfiança por parte de alguns para os quais a segurança é um dos principais problemas do bairro. Mas não é o único.

"Aqui não tem benefício nenhum. Benefício é uma vala cheia de praga que tem bem aí", desabafa a aposentada Antonia Pinheiro, 73 anos, há 35 morando no bairro. "Quando a maré enche entope os esgotos. Vem tudo o que não presta. Estoura tudo. A água vem descendo pelo meio da rua. E o mau cheiro invade tudo".

Água no peito

D. Francisca de Ribamar Sodré, 66, aposentada, faz coro às reclamações da vizinha. Segundo ela, que mora na Travessa Boa Esperança há 59 anos, "quando a maré chega a água dar no peito. No inverno aqui fica o maior aguaceiro. Alaga tudo. Água nas torneiras é dia sim, dia não. A Caema nunca fez nada. A gente chama que cansa. Toda vez que preciso dela tenho que fazer escândalo".

A moradora reclama também da limpeza das ruas. Diz que a Prefeitura só faz recolher o lixo. "Não limpa as ruas, não. Aqui somos nós que limpamos. Os moradores é que varrem. Não tem limpeza de Coliseu".

Segundo a dona-de-casa, os políticos não resolvem nada. Só andam aqui na época de voto. Vai chegar a época deles. Mas a maior reclamação de d. Francisca é em relação à falta de segurança. "Aqui só tem briga, deboche, piada. A violência é demais".

Assaltos

A moradora diz que os assaltos são constantes no lugar. "Aqui perto é direto. Eles assaltam de dia e à noite. Não têm hora, não. Pode ser a hora que for. Outro dia assaltaram um velhinho que entregava saco de arroz. Levaram os bagulhos todos dele". De acordo com d. Francisca, o assaltante mora na rua ao lado da dela. "Todo mundo conhece".

O pior trecho é o da Rua 24 de agosto, ou Rua da Vala, como é conhecida. Segundo d. Francisca é lá o lugar que dá mais ladrão no bairro. Maria de Lurdes Viana, 70, há 10 morando no lugar, concorda. Devido à violência do bairro, a moradora diz que só sai de casa para ir à feira, e com muito cuidado.

"Há tanto desocupado por aí. Tem tempo que melhora, em outros piora. Eles assaltam na cara da gente. Já vi várias vezes eles assaltando bem aqui, em frente à minha casa. Todo mundo conhece eles. Mas o que a gente vai fazer? Ai de quem falar alguma coisa", diz, conformada.

Segundo a moradora, a polícia passa de vez em quando no bairro, mas não resolve o problema. Geralmente quando os policiais chegam o assalto já aconteceu. O medo da moradora é tanto que a entrevista é dada de dentro da residência. Desconfiada, foi da janela da sua casa, totalmente gradeada, que ela atendeu a equipe de Veja Agora.

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