O câncer de próstata é a segunda causa de óbitos por câncer em homens, sendo superado apenas pelo de pulmão. Para 2005, estimou-se a ocorrência de 46.330 casos novos para este tipo de câncer de acordo com o Instituto Nacional de Câncer - INCA.
Para o instituto, esses números são possíveis pela evolução dos métodos diagnósticos em que muitos homens descobrem a doença ainda na sua fase inicial, mas é um número pequeno comparado à quantidade de homens com idade a partir de 55 anos que nunca fizeram um exame.
Manuel Wilson Lopes é um exemplo, descobriu que a sua próstata estava com um tamanho maior que o normal aos 62 anos, após ser submetido a uma cirurgia de hérnia. Constatado o câncer, Manuel passou por uma Prostatectomia radical (retirada da próstata) e hoje, depois de dois meses retorna ao médico para continuar o tratamento. "Eu não tinha preconceito quanto ao exame de toque, mas nunca tinha feito porque moro no interior e precisava vir a São Luís", contou.
O exame de toque que Manuel Wilson citou é apenas uma das formas de diagnosticar o câncer de próstata. São duas: o toque retal e o exame de sangue chamado PSA (antígeno prostático específico), uma proteína que só a próstata produz e que se eleva muito nos casos de câncer.
Muitos homens acreditam que só o exame de PSA é suficiente para o controle preventivo do câncer e deixam de fazer o toque por preconceito ou medo de sentir dor. Outros acham que devem procurar um médico apenas quando sentem algo, porém como, na maioria dos casos, o tumor apresenta um crescimento lento, de longo tempo de duplicação, levando cerca de 15 anos para atingir 1 cm³, quando é descoberto as chances de cura são menores.
Quebra de tabus
Para o urologista Dr. Erivaldo Sousa Santos, melhorou muito o número de homens que fazem o exame de toque, porém ainda é pouco, "o exame é recomendado a partir de 45 anos e muitos deixam para fazer com mais de 50", disse.
José de Ribamar Ferreira tem 56 anos e fez o exame pela primeira vez ano passado. Ele disse que nunca teve preconceito quanto ao exame de toque, mas a perda de dois amigos por causa desse problema lhe deu mais incentivo a não criar expectativa, "a gente pensa que é de um jeito, mas na hora é rápido e tranqüilo", contou.
Sebastião Filho, 42a, disse que não tem preconceito algum. Ainda não fez porque o urologista disse que só depois dos 45 anos. "Fiz só o de sangue, ainda tenho 3 anos para pensar nesse outro", brincou.
Num artigo do Dr. Miguel Srougi, ele afirma que "para obter maior eficiência, ambos os testes deve ser executados conjuntamente, pois o toque falha em 40% a 50% dos pacientes, as medidas de PSA falham em 20% e 25% deles, e a utilização dos dois exames deixa de identificar o câncer em apenas 9% dos casos".
O Dr. Eduardo de Castro Ferreira foi mais otimista, ele dá um percentual de 100% de eficácia para quem se submete aos dois exames. O que não pode ocorrer é deixar o tumor se desenvolver. O tempo de vida, em média de um homem que desenvolve essa doença é de 10 anos a partir do diagnóstico.
Roberto Ramos Serra é operador especializado em uma multinacional e que todo ano faz variados exames e como tem 44 anos já fez o PSA. Ele disse estar inteirado de tudo sobre o câncer de próstata e não tem receio algum de fazer qualquer exame, basta o médico mandar, "a saúde da gente em primeiro lugar", afirma.
Epidemiologia
As causas desse câncer ainda são desconhecidas pela medicina, mas já se sabe que alguns homens têm maiores risco de desenvolver o problema. Fatores como idade, raça, epidemiologia, hereditariedade, hábitos e até fatores ambientais são reguladores do aparecimento do câncer.
Segundo o médico urologista Dr. Erivaldo Santos, no início ele não apresenta sintoma algum, mas com o passar do tempo vão surgindo sintomas como o hábito de levantar várias vezes à noite para urinar, dificuldades no ato de urinar e dor à micção.
Dos chamados grupos de risco estão os homens com idade superior a 60 anos, homens de raça negra - provavelmente porque produzem mais hormônios -, hereditariedade que aumenta em oito vezes mais as chances e a própria epidemiologia que é de 15%.
A influência que a dieta pode exercer sobre a gênese do câncer ainda é incerta, não sendo conhecidos os exatos componentes ou através de quais mecanismos estes poderiam estar influenciando o desenvolvimento do câncer da próstata. Contudo, já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, e com menos gordura, principalmente as de origem animal, não só pode ajudar a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não transmissíveis.
Mulheres aliadas n.º 1
Dr. Eduardo de Castro Ferreira é urologista informou que a Sociedade Brasileira de Urologia, seccional Maranhão - SBU-MA, vai lançar uma campanha para que as mulheres continuem sendo as maiores aliadas de seus companheiros no diagnostico e tratamento do câncer de próstata.
Como a mulher não tem preconceito e já é acostumada a fazer exames de rotina, deve incentivar os homens a fazerem os exames e até acompanhá-los para que sintam-se mais seguros.
Francisco Gomes de Sousa tem 66 anos e até antes de se casar relutava para fazer qualquer exame. Maria Lúcia Dias, 41a, sua esposa, foi quem insistiu para que fizesse um check-up por causa da idade, na época 61 anos, e daí descobriram a evolução da próstata, mas não pode operar porque nos exames pré-operatórios foi diagnosticado duas veias entupidas e ano passado ele foi operado de duas pontes de safena.
Cinco anos após o primeiro exame, Francisco controla a doença com remédios, ainda não fez a cirurgia porque não recebeu o resultado da segunda biópsia, mas diz que não sente nada apenas um inchaço no escroto o incomoda. "Eu não tenho receio da cirurgia. Não tinha feito o toque porque o médico nunca me falou", se explica.
O Sr. Manuel Wilson, citado no começo da matéria, é um exemplo também de alguém que teve na esposa sua incentivadora. Bárbara de Sousa Lopes foi quem há cinco anos o trouxe a São Luís para fazer exames e já fizeram duas cirurgias, a de hérnia e por último a de retirada da próstata.
Bárbara concorda que a mulher deve estar junto em todos os momentos porque alguns homem são relaxados com a saúde. "Quando casamos não prometemos que ficaremos juntos na alegria e na tristeza, na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença (…), estou apenas cumprindo", finalizou.