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Museus maranhenses - um passeio na história



Data de Publicação: 15 de setembro de 2005
 
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Guardiões da história, da cultura e dos costumes das civilizações, os museus, antes vistos por muitos como lugares onde se guardavam coisas velhas, são hoje pontos muito procurados por turistas de todos os lugares, estudantes e curiosos desejosos de se aprofundar na riqueza de informações que o acervo dos mesmos proporciona.

Em São Luís há vários deles em pontos do Centro Histórico. Num breve passeio pelas ruas centrais, vamos encontrar o Museu Histórico e Artístico do Maranhão - MHAM, Museu de Artes Visuais, Museu de Arte Sacra, Cafua das Mercês, Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, Casa de Nhozinho, Casa do Maranhão, Morada das Artes, Convento das Mercês - lugares que abrigam partes da nossa história. Em todos eles a freqüência maior é de turistas estrangeiros, seguida de turistas do sul e sudeste do país.

O sentimento dos que trabalham nesses locais é sempre de satisfação e orgulho por ajudar a manter viva a memória da cidade e do seu povo. É o que relata Francisco Ribeiro, 41, auxiliar de serviços culturais do Museu de Artes Visuais. Há dez anos ajudando a preservar nossa cultura, Francisco mostra empolgação ao falar da riqueza encontrada no museu. "São azulejos de origem portuguesa, francesa e alemã, que retratam os séculos XXVIII e XX".

Do acervo do museu fazem parte ainda quadros e esculturas de artistas locais das mais variadas épocas, sendo a maioria do século XX, segundo Ribeiro. Além disso, o visitante vai poder conferir alguns dos trabalhos que tiveram influência na Semana da Arte Moderna (1922), como os de Tarsila do Amaral, por exemplo.

Francisco Ribeiro diz que o museu é bem freqüentado principalmente por turistas europeus devido a azulejaria. "Nosso museu é referência internacional em azulejos", diz. Os visitantes locais são na maioria estudantes - diariamente acontecem visitas de escolas. Quem também admira as peças expostas é a estudante suíça Josephine Herzig. A moça diz que leu em um livro que o lugar é um museu de artes e quis conhecer. Admirou o que chama de "artes regionais" do nosso Estado. Próximo dali, no Centro de Cultura Domingos Vieira Filho, os visitantes vão encontrar um acervo que mistura o sagrado e o profano. Quem explica é Andréa Bianca Gonçalves Fereira, 21, bolsista, que faz o monitoramento dos visitantes. Andréa explica que o Centro abriga exposição de artigos religiosos "afro-brasileiros e afro-maranhenses" e peças e artigos que evocam várias manifestações folclóricas maranhenses, além de maquetes de algumas de nossas igrejas.

No Convento das Mercês, fechado provisoriamente para manutenção, é possível estudar a história política do país através de seus presidentes. Segundo Vanderson Cutrim, agente administrativo do espaço, o acervo trata da vida política dos homens que conduziram o país e resume um pouco da história desses homens e das épocas em que foram presidentes.

Cultura e escravos

Os interessados em conhecer a história do Bumba-meu-Boi, uma das mais fortes manifestações culturais maranhenses, devem visitar a Casa do Maranhão. Segundo Gisele Alves, 23, monitora, na Casa o visitante vai poder conferir roupas, instrumentos e outros artigos que compõem a história da manifestação.

A Casa de Nhozinho faz um passeio pelo cotidiano do maranhense da zona rural. No lugar, potes, redes de pesca, peças de cerâmica e de madeira como tear, artesanato maranhense, artesanato indígena de várias regiões do Maranhão, compõem o acervo da Casa. A estudante Tainara Belo, 8, adorou a visita. Diz que gostou muito da pesquisa sobre Nhozinho, artesão que dá nome à casa. A garota pretende voltar ao lugar.

Se a idéia é saber como eram as casas maranhenses no século 19, o visitante deve procurar o Museu Histórico e Artístico Maranhense - MHAM. Instalado no "Solar Gomes de Sousa", o lugar é a reconstrução de uma casa de época. Mobiliário, louças, vidros, cristais, cozinhas, tudo "transporta" o visitante em uma viagem através do tempo.

Os interessados em arte sacra devem visitar o Museu de Arte Sacra, instalado no Solar do Barão de Grajaú. O museu abriga uma coleção variada de estilos maneirista, barroco, rococó e neoclássico, escolas regionais, imagens populares e de roca. O destaque fica por conta da coleção de ouriversaria dos séculos XVIII e XIX.

A Cafua das Mercês conta a história da cultura afro no Maranhão. Conhecida como Museu do Negro, a Cafua tem no acervo uma coleção de peças de arte africana de grupos culturais diversos, objetos de cultura afro-maranhense, indumentárias e instrumentos musicais utilizados em rituais religiosos e o pelourinho - lugar onde os escravos eram torturados -, e instrumentos de suplício utilizados para maltratar os negros da época da escravidão.

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