O chefe de gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, negou em depoimento realizado em sessão reservada ontem à CPI dos Bingos, ter participado de esquemas de corrupção para alimentar um suposto caixa dois do PT.
A informação foi dada a jornalistas pelos senadores Romeu Tuma (PLF-SP), Geraldo Mesquita (PSol-AC), Aloizio Mercadante (PT-SP) e José Jorge (PFL-PE), que participam da audiência.
As acusações foram feitas contra o assessor do presidente por João Francisco Daniel, em depoimento à CPI. Ele é irmão do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT). O então prefeito foi assassinado em 2002, em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas.
Segundo os senadores, Gilberto confirmou ter participado de pelo menos cinco encontros com familiares de Celso Daniel logo após sua morte.
Um deles teria ocorrido no apartamento do deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), em São Paulo, que deverá ser ouvido pelos integrantes da comissão na próxima quinta-feira.
Gilberto Carvalho negou, entretanto, ter transportado malas de dinheiro arrecadado junto a empresas que serviam ao município de Santo André, como havia dito João Francisco.
“Eu não sou mula para carregar malas”, disse Carvalho, segundo o senador Tuma.
O senador José Jorge, que confirmou as negativas e disse não ter ficado satisfeito com o depoimento.
“Nós temos de olhar outros documentos. Mas eu não saí convencido da audiência”, disse Jorge.