O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), deve decidir seu futuro político apenas na próxima semana, disse ontem o primeiro-vice-presidente da Casa, Thomaz Nonô (PFL-AL).
“O presidente está evidentemente preocupado e me disse que vai analisar a situação dele com seus familiares, seus pares e sua base política para chegar a uma decisão em meados da semana que vem”, disse Nonô a jornalistas no Congresso.
Segundo o pefelista, Severino não sinalizou se irá ou não renunciar ao cargo ou ao mandato.
A abertura do processo contra Severino pedido na terça-feira por cinco partidos de oposição (PPS, PDT, PV, PFL, PSDB) deve ocorrer até a próxima terça-feira. Uma vez aberto o processo, o deputado não poderá mais renunciar para evitar a perda dos direitos políticos por oito anos.
Na manhã de quarta-feira, o empresário Sebastião Buani apresentou cópia de cheque nominal de julho de 2002 a Gabriela Martins, secretária de Severino, que teria sido usado para pagamento de propina ao deputado, com o objetivo de garantir a renovação de concessão de restaurante na Câmara.
À tarde, Gabriela contou uma versão diferente em depoimento à Polícia Federal. Segundo ela, o cheque teria sido usado para pagar despesas de campanha de Severino Cavalcanti Júnior, filho do deputado. Ele era candidato a deputado estadual em 2002, mas morreu em agosto daquele ano.
Na última sexta-feira, Gabriela já havia deposto na PF e negado ter sacado dinheiro e cheques de Buani ou ter conhecimento de qualquer irregularidade ligada a Severino, referindo-se ao ano de 2003.