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Lixo e ratos disputam espaço entre alimentos



Data de Publicação: 17 de setembro de 2005
 
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Paredes e azulejos imundos. Teto desabando. Sujeira para todo lado. Mau cheiro, moscas e baratas. Esse é o retrato do Feira da Liberdade, abandonada por Tadeu Palácio. A falta de higiene é visível por todo lado, desde os boxes onde são comercializados os produtos, passando pelo piso e paredes. A imundície dessas é gritante. Na parte de trás das instalações, a lixeira aberta e os restos de lixo ao redor denunciam a falta de cuidado dos administradores.

Apesar das evidências, para João Moreno, atualmente respondendo pela administração, o mercado está bom. Funcionário do Instituto de Produção e Renda da Prefeitura, a quem cabe a responsabilidade de administrar o lugar desde que a eleição para a diretoria foi suspensa por determinação judicial, João Moreno afirma que a Vigilância Sanitária fez um levantamento das condições gerais do mercado. O administrador admite que o lugar tem alguns problemas, como o piso e as galerias obstruídas, mas garante que três zeladores permanentes fazem a limpeza do mercado. Para ele, a limpeza está boa.

Nojento

Não é o que pensa Esteva Josefa Martins, 44, feirante, há 12 anos trabalhando no mercado. “Esse mercado está nojento. Aqui tem todos os problemas. A começar pelo telhado, terminando na sarjeta. Essas telhas desabando são um risco; perigam cair em cima de alguém. É Deus que está segurando elas. Já pedimos para o prefeito mandar ajeitar, mas ele diz que a responsabilidade é da associação”.

“A estrutura está toda comprometida”, acrescenta Eliane Nascimento, 38, há 13 trabalhando no lugar. “Ninguém vem comprar aqui. Já perdemos mais de 50% da freguesia”.

Maria Luzia Rosa, 55, comerciante, costuma fazer compras no mercado – compra há pelo menos 8 anos. Para ela, o lugar precisa de uma reforma geral. E principalmente de limpeza. A freguesa conta que outro dia estava comprando peixe em um box, quando de repente um rato enorme saiu do box ao lado e passou por cima dos pés dela. “Assim como eles (os ratos) passam por cima dos pés da gente, também passam por cima dos alimentos.

Nós podemos estar comprando alimentos contaminados”. Para Luzia, o mercado tem outro grave defeito - é muito quente. “Aqui não tem ventilação”, alega. A falta de higiene e a sujeira não estão apenas no interior do mercado. Do lado de fora, na feira que se estabelece ao redor do lugar, o lixo e a lama formam o cenário onde as bancas improvisadas expõem os alimentos sem nenhum cuidado.

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