O delegado Hagamenon Azevedo, que preside o inquérito sobre a morte do prefeito de Buriti Bravo, João Leocádio, ocorrida no dia 10 de março, contestou as declarações da comerciante Jaqueline Alves de Sousa, irmã de Antônio Marcos Alves de Sousa, o "Marcão", suspeito de ser o autor do crime.
Segundo o delegado, o acusado não está preso apenas por este caso. Ele fez um breve histórico da vida de Marcão: ele tem três mandados de prisão preventiva e foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma.
Em 2004, ele se envolveu no assalto à agência do Banco do Estado, na cidade de Buriti Bravo. Durante as investigações, vários mandados de busca e apreensão foram expedidos pelo juiz da Comarca e cumpridos em março de 2004.
O contingente policial foi cumprir a determinação do juiz, ficando a cidade desguarnecida. "Aproveitando a ausência de policiais, Marcão, embriagado, foi à residência do juiz, jogou uma garrafa de cerveja no muro e o ofendeu com palavras de baixo calão", contou o delegado.
Por conta disso, em abril de 2005, quase um ano depois, a Justiça decretou a prisão dele por difamação, ameaça, desacato e falsificação de documento. "Além de desrespeitar o juiz, durante a investigação do assalto, várias testemunhas foram intimidadas pelo acusado, inclusive em praça pública", contou o delegado.
Além da prisão decretada pela morte do prefeito, um novo mandato de prisão foi expedido contra Marcão, desta vez pela morte de José de Abreu da Silva. O episódio ocorreu em 2001, em Buriti Bravo, quando o acusado se encontrava na Base da Tanga. "Ele teria pedido para vítima deixar de dançar com uma determinada jovem, e ao não ser atendido, este acabou desferindo um tiro na cabeça do cidadão", declarou o acusado na entrevista.
O delegado negou que Itamar, tenha confessado a própria participação e a de Marcão mediante tortura. "Após o depoimento de Itamar, um médico de Caxias foi chamado para examiná-lo emitindo laudo quanto ao estado de saúde dele", informou. Marcão também teria cometido alguns delitos na cidade de São Paulo, onde morou por mais de um ano, entre eles, furto, estelionato, além de um homicídio que está sendo investigando pela polícia daquela cidade.
"O Marcão não está preso apenas como suspeito pela morte do prefeito Leocádio. A irmã dele, na verdade, fez suposições erradas em razão de estar agindo dominada pela emoção", afirmou Hagamenon.
O delegado disse que irá acionar os familiares do acusado por injúria, calúnia e difamação. Disse ainda que, no próximo mês, os resultados das investigações serão divulgados, que têm como provar que o Itamar foi instruído por advogados para dizer que foi torturado.