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"E pur, si muove" Entretanto ela (a Terra) se move



Data de Publicação: 2 de setembro de 2005
 
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Quando o físico, matemático e astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642) esteve diante da Inquisição, obrigado a retratar-se quanto às afirmações de que era o Sol e não a Terra o centro planetário, fez aquilo que lhe salvou a vida: aquiesceu com os inquisidores, mas, no fim de tudo, afirmou, entre convicto, corajoso e irônico: "E pur, si muove" (Entretanto ela [a Terra] se move).

A verdade reafirmada pelo cientista, lida hoje, pode ser interpretada como uma resposta direta à ignorância e ao abuso de poder da Igreja e de seus cardeais. É como se tivesse dito: "Apesar de vocês, a Terra não pára".

Hoje, 363 anos após a morte de Galileu ("perdoado" pela Igreja, sob João Paulo II, em 1983) a afirmação dele cabe como uma luva à atual situação do estado do Maranhão. Administrado de forma incompetente e suspeita (há um volumoso histórico de denúncias e acusações de fraude e corrupção) por um governo legalmente eleito, mas ilegítimo na sua prática (a primeira-dama, não-eleita, é quem de fato governa), no entanto, o estado se move.

Aqui, a heresia não é de quem está de fora dos palácios, mas de seus ocupantes. Do lado de fora, trabalhadores, empresários, cidadãos, fazem o Maranhão se mover. Diante do pecado da pasmaceira e do desleixo governamental, quem tem compromisso se movimenta, atua, busca as alternativas, faz o estado andar. Do lado de dentro do palácio, além das notícias da alcova, das demissões e readmissões, dos livros de R$ 20 milhões, das estradas fantasmas, dos contratos suspeitos e dos negócios virtuais: discursos. E, o que é pior, repetitivos.

Enquanto isso, homens e mulheres atuam. Não na frente de apoio à corrupção, mas em frentes de trabalho. As empresas surgem, as idéias criativas se sucedem, os trabalhadores valorizam seu suor e desprezam o marketing do vazio que pratica José Reinaldo, pago com nosso dinheiro.

A Expoema é um exemplo. Certamente tem algum patrocínio do governo, decerto que a máquina estatal tem presença, mas é a exposição um singular exemplo do interesse e da capacidade do maranhense de fazer a sua terra se mover, mesmo que, por aqui, o governo esteja devagar, quase parando. Não há qualquer dúvida de que o crescimento histórico do evento de negócios mais importante do Maranhão é resultado de um planejamento que, se depende de governos em algum nível não o será para existir, para se realizar.

Tampouco deixam de se movimentar os comerciantes, os autônomos, os professores, os profissionais liberais, as empresas de serviço, quem, de fato, trabalha.

Diz-se que todo povo tem o governo que merece. Injustiça. O Maranhão não merece esse governo. (Ou, também é verdade, esse governo não merece o Maranhão). Governo não é destino, é circunstância. Muda-se. E, ainda que os olhos cegos de quem manda não vejam, já surge na base, na surdez dos bairros da capital e das cidades do interior, um movimento; algo se move e não por fenômenos sísmicos. Como o esforço dos que se empenham e desempenham seus papéis do lado de fora dos palácios, nos parques de exposições, por exemplo, há um movimento crescente de descontentamento e reação. Pode-se prever uma onda que arrastará toda sujeira para o ralo da história, levando tudo o que estiver na frente. Porque a lição é mais ou menos a mesma de 363 anos atrás: aos arrogantes, resta a verdade: "E pur, si muove".

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