Casas de dois andares com cerca eletrificada em ruas com buracos e água empoçada e casebres entre ruas sem asfalto e as asfaltadas. A descrição serve para o leitor fazer uma idéia de como está a infra-estrutura da Vila Luizão, localidade próxima ao bairro do Araçagi.
O lugar foi fundado há 11 anos pelo líder comunitário conhecido como Luizão, morto em 2001. Na época, a invasão contou com o apoio de quase 5 mil famílias, que resolveram ocupar terrenos próximos ao bairro Sol e Mar alegando que não tinham onde morar.
"A maioria veio do interior do Estado à procura de emprego, muitos já nem moram mais aqui, se decepcionaram com a capital", conta a presidente em exercício da Associação de Moradores da Vila Luizão, Conceição Glória de Oliveira Santos.
A Vila Luizão é um bairro atípico de São Luís. Apesar ser considerada como invasão pela prefeitura, os terrenos são valorizados porque a área é tida como nobre por ficar próximo à região de praias.
De acordo com a presidente da associação de moradores, nos últimos meses tem havido uma mudança na classe social dos moradores. Os mais pobres têm vendido as residências para pessoas com um poder aquisitivo maior, por isso é possível encontrar semi-mansões com cerca elétrica e vigilância eletrônica.
A transição de classe social tem favorecido algumas mudanças de comportamento no bairro, como a presença ostensiva da polícia. "Depois das 22 horas é possível encontrar uma verdadeira força tática nas ruas. A violência vem diminuindo consideravelmente", informa Conceição Glória.
Problemas emergenciais
Segundo os moradores, os problemas centrais da Vila Luisão são o estado das ruas, apenas as avenidas são asfaltadas, e a ausência de escolas de ensino médio. Os estudantes precisam fazer matrículas nos colégios do Habitacional Turú e do Centro para não perder o ano.
Como exemplo de ruas mal-conservadas está a Avenida Sol e Mar. A prefeitura asfaltou a via, mas o trabalho não agradou aos moradores. "Esse trabalho de asfalto do prefeito parece mais um assalto. Eles nunca vieram fazer o meio-fio e a sarjeta, não dou dois meses para a massa asfáltica sair toda, pois o trabalho que foi feito parece mais uma pintura de solo", declara o morador Jeci do Carmo Costa, 70 anos.
A moradora Maria José Ribeiro de Sousa conta que a avenida onde mora, a João Alberto, espera por asfalto há pelo menos cinco anos. A dona-de-casa diz que, quando chove, a rua vira um lamaçal e quando chega a estação seca, a casa fica cheia de poeira, trazendo doenças para a família.
Escolas
Na época do Tele-ensino, a escola comunitária do bairro chegou a abrigar algumas salas, mas assim que o programa acabou, os estudantes secundaristas tiveram que continuar os estudos em outros colégios. "Diante de tanta dificuldade e porque não têm condições de pagar ônibus todo dia para ir à escola, muitos jovens do bairro estão desistindo de fazer o ensino médio", revela a presidente da Associação de Moradores.
Já os alunos do pré-escolar e do ensino fundamental só contam com uma escola para estudarem, a Luís Gonzaga, que atende 570 crianças nos turnos matutino e vespertino, e à noite, turmas de alfabetização de jovens e adultos. Até o final do ano, a comunidade espera receber da administração municipal o prédio pronto da Escola Leonel Brizola.
Um outro problema enfrentado pelos moradores é falta de água. Apenas poços artesianos, em número de seis, abastecem a Vila. O líquido chega por meio de canos, em um determinado momento do dia, para faltar logo em seguida. A comunidade não paga conta de cobrança da Caema, mas desembolsa R$ 10,00 por mês para utilizar a água dos poços.
Briga de marido e mulher
A segurança da comunidade da Vila Luizão começa a ficar comprometida a partir das 18 horas, quando estudantes e trabalhadores retornam para os seus lares. A média de ocorrências policiais, de acordo com o boletim da Polícia Militar, que mantém um treiller funcionando no bairro, é de cinco durante a semana e de 10 a 15 nos finais de semana.
De acordo com o soldado PM José Raimundo Ribeiro, 90% dessas ocorrências policiais são brigas entre marido e mulher. "Estamos acostumados a atender, em plena madrugada, chamados de crianças chorando e dizendo que o pai está batendo na mãe", relata.
Em geral, após lavrar as ocorrências, os policiais encaminham os casos à Delegacia Especial de Mulher, na Avenida Beira-Mar. Mesmo com hematomas sérios, o PM conta que muitas mulheres desistem de denunciar os maridos agressores no momento da prisão.