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Dirigente do Pam Diamante reconhece que sistema funciona mal



Data de Publicação: 2 de setembro de 2005
 
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Além de amanhecer em longas filas em postos de marcação de consultas, as Cemarca, passando pelo tempo perdido em filas para receber senhas de atendimento, filas para autorização da consulta e fila para marcação da mesma, o literalmente paciente que se submete a essa via-crucis para ser atendido pelos médicos do sistema de saúde pública enfrenta agora um novo e grave problema. O longo tempo (um a dois meses em média) que terá que aguardar para ser atendido.

O problema que atinge principalmente os pacientes, maiores prejudicados com a "novidade", é motivo de queixas também por parte de médicos e administradores de hospitais. A inovação gerou um clima de esvaziamento nos hospitais da rede pública. Ao contrário do volume de consultas marcadas, o número de atendimentos médicos tem diminuído, fazendo com que em alguns desses centros de saúde os profissionais da área fiquem ociosos.

"Se uma pessoa está com dor de barriga hoje e vem marcar uma consulta para dezembro ela não vem mais", analisa o diretor-administrativo do Pam-Diamante, José de Ribamar Teixeira Veras, há 13 anos no cargo. O diretor tem razão. Ivanilde Alves Barros marcou uma série de exames para novembro. Diz que não vai esperar. Vai fazer particular. "Isso é um absurdo. Esperar até novembro. Cruz credo. Acho que vou gastar uns 50 reais, mas vou fazer particular".

Maria Pereira marcou um exame também para novembro. Ela deve voltar em outubro para agendar. O preventivo (de câncer de útero) não foi autorizado. Disseram que só no Centro de Saúde (ela não sabe qual). "Antigamente não era assim. E ainda me jogaram lá no Anjo da Guarda. É longe demais", reclama Maria Pereira, moradora da Cidade Operária

Estratégia

Segundo o administrador do Pam-Diamante, a situação é reflexo do que acontece atualmente em quase todas as unidades de saúde que trabalham com marcações de consulta feitas pelo município. De acordo com Teixeira, o método é uma estratégia da Prefeitura para detectar pontos de estrangulamento no sistema de saúde, para verificar quais especialidades médicas têm maior procura e credenciar médicos. Mas, o que deveria melhorar o atendimento ao público tem prejudicado bastante as pessoas que necessitam desse tipo do serviço. "Eles não botam ninguém no lugar das pessoas que marcam e não retornam, e só são marcadas 16 consultas por dia", diz Ribamar.

Outro problema detectado pelo diretor é quanto à agenda do médico. "Eles não perguntam quando o médico entra de férias, marcam consultas em feriados. O paciente vem aqui para consultar e não é atendido. Vem no dia seguinte achando que vai poder se consultar e não pode ser atendido de novo", lamenta.

Filas menores, pacientes ausentes

Para minimizar o problema, o diretor diz que esteve reunido com o secretário municipal de saúde, Edmundo Gomes e sugeriu uma mudança no sistema, a partir da qual as marcações passariam a ser feitas semanalmente. "O secretário ficou de analisar. Queremos pelo menos disciplinar a marcação de consultas e exames. Resolveram o problema das filas, mas não resolveram o problema do paciente".

Além de todos os obstáculos e do tempo que precisa esperar para ser consultado, o paciente que marca consulta por exemplo na Cemarca do Pam-Diamante e é encaminhado a médicos de outro hospital, tem que ir em média uma semana antes da data da consulta fazer o que os técnicos da área chamam de agendamento, quando o prontuário dele é separado para ser encaminhado ao médico que irá atendê-lo. isso significa mais dinheiro gasto com transporte e tempo perdido em hospitais.

Américo Pereira, 66, aposentado, enfrentou o problema. Reclama que já passou um mês para poder consultar e ainda teve que agendar. "Os governantes do município deveriam tomar providências. É muito difícil. A gente fica 30 a 40 minutos na fila para atendimento apenas para marcar. Corre para lá, para cá. Saí de madrugada para pegar senha e marcar. Estou com dor nas pernas", reclama.

Rede privada

Para José de Ribamar Teixeira a rede de saúde pública hoje funciona como se fosse uma rede privada. “O que você faz, cobra. Segundo o diretor, o Ministério da Saúde disponibiliza uma verba para os hospitais da rede pública. O dinheiro dos atendimentos é contabilizado de acordo com os pacientes agendados e repassado pelo governo federal aos municípios independente do número de pessoas atendidas".

"O controle todo é deles (da Prefeitura). Todo o atendimento é passado para eles. Não atendemos nada que não seja marcado por eles". Para o diretor, o atendimento hoje diminuiu muito. Antes o Pam atendia a uma média de 22 mil consultas e 14 mil a 16 mil exames mensais. Hoje o número é 12 mil a 14 mil consultas e 4 mil a 5 mil exames por mês. "Quem está sendo prejudicado é o paciente", avalia.

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