O juiz preso na Operação Anaconda João Carlos da Rocha Mattos disse ontem que o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, tem as "mãos sujas de sangue" pelo envolvimento dele no caso Celso Daniel, prefeito de Santo André morto em 2002.
Segundo a Folha de S.Paulo, além de Carvalho, Rocha Mattos acusou o deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP), Klinger Luiz de Oliveira (ex-vereador petista) e o empresário Sérgio Gomes da Silva, acusado de ser mandante do assassinato, de tentarem desviar as investigações.
Na opinião do juiz, não há nenhuma preocupação com a figura da vítima e sim em "botar panos quentes" na situação e encobrir atos de corrupção em Santo André. Ele disse que não está acusando os citados pela morte, mas, explica que, até por omissão, eles "têm as mãos sujas de sangue". "São pessoas que estão muito próximas do presidente", afirmou.
A assessoria do Ministério da Justiça disse que a orientação do ministro Márcio Thomaz Bastos é para que a Polícia Federal atue "dentro da lei sem perseguir ou proteger quem quer que seja". Gilberto Carvalho disse em nota que contesta com "veemência" as declarações do juiz.
Mattos afirmou que possui mais informações que possam contribuir para a elucidação do crime e se ofereceu para falar à CPI do Mensalão.