O presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), adiou para amanhã (21) a abertura da representação contra o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). "Vamos aguardar, já que existe a possibilidade de renúncia", comentou.
Com a renúncia, Severino Cavalcanti ficaria livre do processo e, com isso, preservaria seus direitos políticos para uma eventual candidatura no ano que vem.
O início do processo estava previsto para hoje. Pela Emenda Constitucional 6/94, a renúncia de parlamentar submetido a processo que possa levar à perda do mandato terá seus efeitos suspensos até as deliberações finais. Portanto, a renúncia é possível até a abertura do processo.
Severino fará pronunciamento em plenário amanhã, mas seu advogado, José Eduardo Alckmin, não confirmou se ele renunciará ao mandato.
Severino é acusado de ter quebrado o decoro parlamentar por seu envolvimento com o empresário Sebastião Buani, que afirma ter pagado propina - o chamado "mensalinho" - para garantir a concessão de um restaurante da Câmara. O advogado não informou, no entanto, se Severino fará um discurso de renúncia ou de defesa do seu mandato.
Alckmin passou a manhã na casa de Severino. Segundo o advogado, Severino não discute a possibilidade de tirar uma licença. "Ou ele renuncia, ou enfrenta o processo", disse o advogado. Alckimin reafirmou que não está orientando Severino sobre uma possível renúncia.