Cem mil máscaras com o rosto da candidata mais velha destas eleições foram distribuídas na Bahia, especialmente na cidade de Feira de Santana, onde mora a postulante a deputada federal "Mamãe", apelido da comerciante Deodata Pereira Borges, 101 anos.
"É uma coqueluche, todo mundo quer uma máscara de Mamãe", disse seu filho João Alves Borges, 62 anos, também candidato a deputado federal pelo PSDC. "Mamãe está muito bem cotada, esperamos uns 100 mil votos."
Cansado de ser "um eterno candidato", sem nunca ter ganhado uma eleição desde 1994, Alves Borges, dono de 12 farmárcias na região, decidiu apostar no carisma da mãe, que sempre aparecia pedindo votos para o filho nas propagandas eleitorais.
"A saúde dela é melhor que a minha. Eu tenho colesterol, tenho que tomar remédio. Ela não. E ela sempre sai para pedir votos nas ruas ou nas reuniões que somos convidados", disse o filho, que defende o imposto único e tarifa zero para remédios.
A Bahia também tem o candidato mais velho deste pleito, José de Souza Pinto, conhecido como "General Souza Pinto", 101 anos e 10 meses, como gosta de dizer. Ele concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PAN, e mora em Salvador.
A primeira lembrança que Souza Pinto guarda na memória sobre política remonta a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), quando o diretor de seu colégio era um padre alemão. "Nós estávamos em guerra contra eles, mas o alemão sempre nos levava para cantar o hino nacional, ao lado da bandeira do nosso país," recorda.
Na época da Ditadura Militar (1964-1985), Souza Pinto diz que já estava na reserva, cuidando de sua fazenda no interior da Bahia, mas que lembra muito bem de como "os comunistas dividiram as minhas terras, sem eu saber."
"Foi quando eu fui comprar minhas armas para defender minhas propriedades e houve a revolução. Ai pacificou tudo, foi salvadora. Só agora ficam dizendo por ai que foi uma ditadura terrível," disse.