Herança maldita
A educação tratada com desprezo
A sede da União de Moradores do Angelim, na Avenida Tarquino Lopes, é hoje o local onde dezenas de crianças se amontoam para receberem educação básica. Ao lado, funcionava o prédio da escola, que o prefeito Tadeu Palácio mandou derrubar para construir uma nova, mas a obra foi paralisada por falta de verba.
Já contam 4 anos que isso aconteceu e nenhuma providência foi tomada. Há 3 anos, os alunos da educação infantil e ensino fundamental assistem às aulas no prédio pequeno, apertado e quente da União de Moradores. De acordo com uma funcionária, pela manhã são os alunos do maternal até o terceiro período e à tarde da 1ª a 6ª séries.
Segundo o funcionário público Gilberto do Nascimento Sousa, quando os serviços foram iniciados havia uma placa que datava a obra para conclusão em 90 dias. Esse era o período que os alunos ficariam ocupando a sede alugada da União. Só que por falta de verba, a empresa responsável pelo serviço retirou a placa e os materiais e abandonou o serviço. "O vigia ainda ficou mais tempo, mas atrasaram o salário dele e ele também abandonou o local", contou.
Na sede, as crianças ficam imprensadas num local pequeno e separado por tábuas de madeira. A diretora e os outros professores que ainda comparecem (visto que os professores municipais estão em greve) se esforçam para passar o conteúdo no meio de tanto desconforto.
A dona-de-casa Léa dos Santos Souza defendeu a diretora pelo empenho de ir muitas vezes à Prefeitura pedir ajuda para melhorar a escola, entretanto todo o esforço é praticamente em vão porque pouca coisa é feita.
Léa garante que se a escola tivesse sido concluída no prazo estipulado seus filhos estariam estudando lá. Atualmente, eles são obrigados a acordar cedo e levar os meninos para o outro conjunto. "Com a escola em frente a minha casa, eu não precisaria fazer essa caminhada para o outro bairro", contou.