Por Gilberto Léda
Editoria de Política
jogo sujo
Pedetista pode estar ameaçando servidores públicos
O ex-prefeito Jackson Lago (PDT), candidato a governador pela coligação "Frente de Libertação do Maranhão" e principal aliado do governador José Reinaldo (PSB), realizou, ontem (20), mais uma passeata em São Luís.
Desta feita, a movimentação concentrou-se na Praça João Lisboa, mas, ao contrário do que normalmente acontece, os integrantes da mobilização não eram militantes ou cabos eleitorais do candidato, e sim médicos, enfermeiros e agentes de saúdes do Município.
Segundo denúncia do marido de uma médica contratada pela Prefeitura para trabalhar no Hospital Djalma Marques (Socorrão I) - que esteve nesta sexta-feira na redação de Veja Agora -, desde o início da semana uma lista estava sendo formada com os funcionários que declararam aceitar participar da caminhada.
Nossa fonte, que é contratada pelo Estado e, por isso, preferiu não se identificar - por temer represálias do aliado do pedetista, José Reinaldo -, afirmou que aqueles que não aceitassem o "convite" estavam sendo ameaçados de perder o emprego.
"Minha esposa foi surpreendida com a convocação para que todos participassem da passeata. Havia uma lista passando em todos os hospitais e unidades mistas do Município", declarou.
O interlocutor de Veja Agora informou, ainda, que os funcionários que não aceitaram fazer parte da lista foram ameaçados.
"Está todo mundo com medo. Eles estão ameaçando quem não participar desse tipo de mobilização com a perda do emprego. Isso é um absurdo. A pessoa deve ter o direito de votar em quem escolher, sem pressões", continuou.
Reincidentes
Esta não é a primeira vez que a dupla José Reinaldo/Jackson Lago tenta coagir funcionários públicos a votarem no ex-prefeito. Há duas semanas, a diretora-geral, Socorro Bispo, e a diretora-clínica, Rosângela de Gaia, da Maternidade Benedito Leite foram demitidas porque, segundo elas, se recusaram a participar de uma reunião com o pedetista. As duas se declararam eleitoras da senadora Roseana Sarney (PFL).
"Não confundimos política com trabalho. O nosso trabalho é técnico, a saúde tem que ser respeitada", afirmou Socorro Bispo à época.