O técnico Emerson Leão pode ter acertado em cheio um tiro no pé ao afastar o meia Carlos Alberto por indisciplina. Os números provam que o Corinthians já se tornou dependente do jogador, talvez o principal nome do time até aqui no Brasileirão 2006.
Carlos Alberto fez 17 jogos na competição. Nos dez quesitos analisados com base nos dados do Footstats, empresa especializada em estatística, em seis ele aparece como líder. Em outras duas é o segundo e nas outras está ao menos em quinto lugar.
Foram, por exemplo, cinco assistências somente no Brasileirão. Com mais três, totaliza oito na temporada, o melhor aproveitamento entre os jogadores que fazem parte da equipe. Nilmar, outro que deixou o time, mas por lesão e por impasse na negociação entre MSI e Lyon, da França, é outro que aparece bem colocado, mas sempre atrás de Carlos Alberto. Em finalizações, Nilmar tem três a menos (só no Brasileiro). Em dribles também está atrás, como em faltas recebidas.
São dados que analisados separadamente podem não demonstrar muito, mas se somados apresentam uma certa "Carlos Alberto dependência". Se o jogador que mais dá passe para gols, que mais dribla, que mais faltas recebe, e até que perde mais a bola (condição para quem fica com ela muito no pé) está fora do time, a queda de produção encontra um motivo natural.
Não para Emerson Leão. A discussão entre os dois no jogo contra o Lanús, na Argentina, na última quarta-feira, pela Copa Sul-Americana, foi o bastante para que ele excluísse Carlos Alberto até dos treinos. Alguém pode tirar a razão do comandante? Não, já que houve uma insubordinação. Mas é bom pensar em voltar atrás, já que no elenco não há jogador tão eficiente, pelo menos neste Brasileiro, do que renegado Carlos Alberto.