Ético?
Pedetista envolvido em novo escândalo
Candidato a governador pela coligação "Frente de Libertação do Maranhão", o ex-prefeito Jackson Lago (PDT) tem sido sistematicamente desmascarado nestas eleições. Dono de um discurso batido, sempre voltado para uma suposta ética e moralidade, o pedetista viu ruir, nos últimos meses, a sua imagem de "bom velhinho".
Sábado passado (21), o programa da senadora Roseana Sarney (PFL), candidata da coligação "Maranhão - A Força do Povo", tratou de dar cabo do que restava da falsa aparência de Jackson.
Segundo documentos apresentados pelo programa, o ex-prefeito comandou na Semtur (Secretaria Municipal de Transportes Urbanos), durante todo o tempo em que esteve à frente do Executivo Municipal - e mesmo quando deixou o cargo -, o que pode ter sido um grande esquema de "perdão" de multas de trânsito aplicadas em parentes e aliados políticos.
Neste "sistema", basta ao motorista ter o sobrenome Lago, ou pertencer ao restrito círculo de amizades de Jackson, para não sofrer qualquer punição quando furar sinais sendo flagrado por "pardais", ultrapassar o limite de velocidade em barreiras eletrônicas, nem respeitar faixas de pedestre.
Num dos exemplos apresentados, a filha do candidato, Ludmila Matos Lago, foi flagrada quando avançava o sinal na Avenida Ana Jansen, São Francisco, às 18h54 do dia 5 de dezembro de 2002. Ela foi fotografada por um "pardal" instalado no local dirigindo um Zafira 2.0, de placas HPJ-9888.
Pela lei, Ludmila Lago deveria ser multada em R$ 191,53. O boleto foi, inclusive, emitido - como prova, o documento de 3 de fevereiro de 2003. No entanto, apenas dois dias depois, o diretor do Setor de Multas, Raimundo Goiabeira, autorizou a anistia da filha de Jackson.
Outros casos
E este não é o único caso. Num dossiê que contém nada menos que 36 processos de anulação de multas, estão listados, ainda, os irmãos Wagner Lago (PDT), Bete Lago e Antônio Carlos Lago - este último secretário-adjunto da Semtur, ou seja, o segundo mais forte dentro da instituição.
Entre os amigos e aliados, figuram o apresentador Chico Viana, o próprio secretário Canindé Barros - que, presume-se, perdoou-se a si mesmo -, o irmão de Tadeu Palácio (PDT), Carlos Alberto Teixeira Palácio, um dos irmãos do deputado estadual Julião Amin (PDT) e ao menos outros dois parentes do ex-secretário e ex-vereador Pádua Nazareno.
Nazareno é o inventor dos "pardais" na capital e proprietário da empresa Sinal Verde, que presta serviços para a Prefeitura Municipal desde a administração Lago e tornou-se a maior beneficiária da criação do que se convencionou chamar de "indústria das multas", a qual os parentes e amigos de Jackson parecem estar imunes.