Escândalo
Deputado quer devolução do dinheiro
Os privilégios concedidos pela Prefeitura de São Luís a familiares do ex-prefeito Jackson Lago que, segundo denúncia de Veja Agora na edição de ontem (24), incluíam até a anistia de multas de trânsito, também beneficiaram o deputado federal Wagner Lago (PDT), irmão do candidato do PDT ao Governo do Estado com a chamada "indústria das férias" - uma ilegalidade destinada a aumentar seus rendimentos.
No cargo de procurador-geral do Município, Wagner Lago recebeu, em poucos meses de serviço, de julho de 2001 a janeiro de 2002, nada menos que quatro pagamentos adicionais de férias, num total de R$ 9.900,00.
Servidores públicos e trabalhadores em geral têm direito a apenas um período de férias por ano de serviço, o que, no entendimento do deputado estadual Max Barros (PFL), "torna o privilégio conferido ao irmão de Jackson Lago um escândalo sem precedentes na história da administração pública maranhense".
O deputado César Pires (PFL), que obteve com funcionários da Prefeitura cópias dos extratos de pagamentos dos adicionais de férias do então procurador Wagner Lago, informou que vai entrar com representação na Justiça pedindo a devolução do dinheiro pago ilegalmente.
"A descoberta da fraude é reveladora do estilo Jackson Lago de governar. Não foi ele quem disse que nenhuma família é melhor que a sua? Pois, agora, a gente fica sabendo que a família dele é melhor que o restante das famílias do Maranhão", comentou.
Extratos
Os extratos bancários emitidos pela Superintendência Técnica de Administração e Gestão Financeira não deixam dúvidas: em julho de 2001, o irmão de Jackson Lago foi beneficiado com adicional de férias correspondente a R$ 2.333,33, além de ter feito sua "consignação ao PDT", no valor de R$ 702,07.
O procedimento se repetiu em outubro, em dezembro e em janeiro do ano seguinte. Em todos os contracheques aparecem o "adicional de férias" e a "consignação ao PDT".
Cópias dos documentos circulavam, nesta terça-feira, em ante-salas da Prefeitura de São Luís. Funcionários demonstravam revolta com o privilégio, principalmente porque, segundo revelaram, Wagner Lago acumulava com o cargo de procurador do município o de membro do Conselho da Coliseu. "Lá é onde estava o desaguadouro do dinheiro da Prefeitura e onde ele [Wagner Lago] também mandava", informaram funcionários da empresa.