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Julgamento do serial killer Francisco das Chagas entra pela madrudgada



Data de Publicação: 25 de outubro de 2006
 
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Famílias de vítimas do Pará acompanharam o júri

Como estava previsto, às 9hs da manhã de ontem, foi reaberta a sessão do Júri Popular, instalada no salão do Sesi, no Araçagy, para julgar o mecânico Francisco das Chagas Brito, 39, denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, que vitimou em dezembro de 2003, o adolescente Jonnathan da Silva Vieira, 15. Dando continuidade aos trabalhos, o julgamento foi reaberto com o restante da leitura das peças escolhidas pela defesa e Ministério Público, que contou ainda com a exibição de provas materiais em um telão para que o Conselho de Sentença pudesse ter acesso aos documentos dos autos.

Logo em seguida, ainda no período da manhã, a mãe da vítima, Rita de Cássia Vieira, na condição de informante e arrolada pela acusação, prestou um longo depoimento e, como já era de se esperar, emocionada, chorou muito e pediu punição para o assassino deseu filho.. Por inúmeras vezes, ela se referiu a Chagas como "monstro" e disse que ele parecia estar rindo dela.

Depois de ser inquirida pelas partes, o juiz Márcio Brandão suspendeu a sessão para o almoço, reabrindo logo depois das 14h, quando foi a vez da irmã de Jonnathan, Rejane Vieira, também ser ouvida na condição de informante.

Das cinco testemunhas arroladas pelo Ministério Público, de acordo com informações do promotor Emmanoell Guterres, três foram dispensadas. Em seguida, foi a vez das testemunhas de defesa adentrarem o plenário. Das cinco, apenas duas compareceram. No caso, Maria Eliane Brito, irmã do acusado, além da psicóloga clínica e forense, Maria Adelaide de Freitas Caires, autora do laudo pericial do "Caso dos Meninos Emasculados".

Vários psicólogos e psiquiatras elaboraram laudos quanto possíveis patologias mentais de Chagas, mas segundo o Ministério Público, o laudo assinado por Maria Adelaide será o levado em conta pelos representantes do Ministério Público.

Foi de responsabilidade dela também assinar o laudo do motoboy Francisco de Assis Pereira, conhecido como o "Maníaco do Parque", preso em agosto de 1998 e condenado a uma pena de 121 anos por roubo, estupro e atentado violento ao pudor. Diferentemente do caso do motoboy, que foi considerado imputável, pelo laudo, Chagas seria semi-imputável.

Pela repercussão mundial que o chamado Caso dos Meninos Emasculados, que levou o Brasil a ser denunciado na Organização dos Estados Americanos - OEA, o julgamento que está sendo considerado o maior da história do Judiciário no Maranhão, teve início na manhã de segunda-feira e saiu o veredicto na madrugada de hoje.

No período da noite, como aconteceu anteriormente, o juiz suspendeu a sessão para o jantar e deu prosseguimento em seguida. Além do caso de Jonnathan, Chagas é acusado de matar outros 29 meninos, na Grande São Luís, e 14 na cidade de Altamira, no Pará, dos quais três sobreviveram.

Assim como familiares e amigos dos adolescentes vitimados aqui na Grande São Luís, parentes de meninos mortos em Altamira também marcaram presença. No primeiro dia de julgamento, duas foram as surpresas. A primeira, quando admitiu ter sido vítima de abuso sexual aos seis anos e, a segunda, quando voltou a negar a autoria dos crimes praticados na cidade paraense.

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