Por Gilberto Léda
Editoria de Política
Crime
Agentes deram cobertura a pichadores
Capangas e aliados do ex-prefeito Jackson Lago (PDT), candidato a governador pela coligação “Frente de Libertação do Maranhão”, foram, ontem (26), protagonistas de mais uma série de atos de vandalismo, abuso de poder e desrespeito à legislação eleitoral.
Por volta das 8h da manhã, o empresário Reginaldo Araújo, conhecido como Naná, percebeu que três homens estavam pichando o muro do terreno pelo qual é responsável, na Avenida Daniel de La Touche, altura da entrada para o Maranhão Novo.
No local, havia sido pintado o nome e o número da senadora Roseana (PFL), candidata da coligação “Maranhão – A Força do Povo”, que estava sendo substituído irregularmente por declarações ofensivas à honra da pefelista. De acordo com a legislação, destruir propaganda é crime eleitoral, de competência federal.
Ao se aproximar para exigir que os pichadores cessassem os atos de vandalismo, Naná foi ameaçado pelos três, que partiram para agredi-lo. Ressabiado, ele lançou mão de um cabo de madeira, impedindo a agressão.
Perto do local, provavelmente de tocaia, já aguardando uma reação, dois policiais civis - o agente Barbosa, lotado em Morros, e o agente Marcelo Cardoso, lotado no Deic (Delegacia Estadual de Investigação Criminal) -, que não estavam de serviço, abordaram o empresário, algemando-o e intimidando-o com disparos de pistola para o alto.
No momento da ação, dois dos pichadores fugiram do local num Fiat Uno, placas HOY-1608, registrado no nome de Isabel Simone Ribeiro Almeida. No local, ficou apenas Ribamar Cruz, que, ajudado pelos policiais, prestou queixa contra Naná.
Segundo testemunhas, os dois agentes estavam possivelmente agindo como “seguranças” dos pichadores, já que não estavam a serviço e chegaram descaracterizados, em veículo próprio, uma Parati prata, de placas HPF–1259.
O automóvel pertence a Marcelo Cardoso e estava, inclusive, com adesivos do candidato pedetista colados na traseira. O detalhe é que, em consulta ao banco de dados do Detran, Veja Agora descobriu que o agente não paga IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotivos) desde 2004, mas continua rodando normalmente.
Ainda nessa consulta, descobrimos que a residência da senhora Isabel Simone, no Conjunto Itaguará, proximidades do Cohatrac, funciona como uma espécie de mini-comitê de Jackson Lago. Na casa, ninguém quis atender nossa equipe de reportagem e um senhor que não quis se identificar afirmou que a proprietária do veículo não residia ali.
Crimes
Além de darem cobertura a três criminosos, os dois policiais, na condição de jagunços do candidato Jackson Lago, cometeram, ainda, outra série de delitos. Como policiais civis, por lei, os agentes Barbosa e Marcelo Cardoso deveriam ser, em tese, de dedicação exclusiva e não poderiam – mesmo que de folga – exercer outro tipo de função.
Ao permitirem que dois dos pichadores deixassem o local, eles foram também cúmplices da ação delituosa e, o mais grave, cometeram crime contra a pessoa do empresário Reginaldo Araújo, que, no exercício da sua função, já que era o responsável pelo terreno, e da sua cidadania – qualquer pessoa pode coibir com voz de prisão quem for flagrado em prática criminosa – foi algemado, intimidado e humilhado pelos dois “agentes da lei”.
Em entrevista ao programa Abrindo o Verbo, do jornalista Geraldo Castro, o deputado federal Sarney Filho, reeleito pelo PV, condenou os atos e atribuiu a ação ao desespero do grupo comandado pela dupla José Reinaldo-Jackson Lago.
“O desespero do governador José Reinaldo está levando ele a comprometer o seu governo com atos de vandalismo”, afirmou.
Desespero no aeroporto
Ainda ontem pela manhã, outra demonstração de desespero e abuso de poder foi protagonizada no Aeroporto Marechal Cunha Machado, no Tirirical.
O deputado estadual Julião Amin (PDT), acompanhado de um delegado, um coronel da polícia e dez policiais militares, invadiu um hangar particular na tentativa de impedir a decolagem de um avião que, segundo pensava, estaria levando dinheiro para a suposta compra de votos em favor de Roseana no interior.
Ninguém portava qualquer mandado judicial. Informações dão conta de que todos estavam agindo sob ordens da Secretaria de Segurança
Quando chegaram, a aeronave já estava taxiando e, então, o deputado resolveu invadir a pista. Alguns PMs estavam armados com metralhadoras, mas o piloto recusou-se a parar a aeronave e manteve a decolagem.
Furioso, o proprietário do hangar denunciou a ação à Polícia Federal - o que pode complicar o pedetista e seus acompanhantes - e informou que dentro do avião havia apenas material de campanha.
Uma equipe de TV que estava no local para fazer a cobertura de outra matéria acabou registrando tudo e as imagens da confusão devem ser divulgadas nos próximos dias.
Diante do clima de terror criado pelos jackistas, Sarney Filho garantiu que a coligação “Maranhão – A Força do Povo” já está formalizando uma denúncia no Ministério Público por abuso de poder. Ele acrescentou que serão pedidas forças federais para manter o bom andamento do pleito no próximo domingo.